O presidente da Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão, Gilberto Pereira, acusa a EDP de ter ordenado o abate de mais de 100 sobreiros de forma “indiscriminada e sem fiscalização”, à revelia do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

Segundo o jornal Público, que revela a notícia na edição desta sexta-feira, o abate foi embargado na quinta-feira pelo ICNF, mas mais de uma centena de árvores centenárias já foram cortadas, restando apenas os troncos.

O corte das árvores foi feito pela empresa Ecorede e integrava-se no processo de limpeza de faixas de prevenção no âmbito da Rede Secundária de Gestão de Combustível, em torno das linhas de média tensão da EDP na zona do Barranco do Velho.

Os cortes foram inicialmente identificados por um proprietário, que encontrou elementos da Ecorede a serrarem os sobreiros da sua propriedade sem autorização e telefonou para a linha SOS Ambiente.

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Ao mesmo jornal, o responsável regional da EDP, Carlos Lopes, disse tratar-se apenas de “cortes de ramos” e não de abates, mas admitiu que houve “um corte um pouco mais agressivo” em algumas árvores.

Já o diretor regional do ICNF, Castelão Rodrigues, afirmou que a operação foi foi autorizada e que nem sequer foi pedida uma licença para os trabalhos, decorrendo agora “um processo de contra-ordenação à EDP”.

Em declarações ao jornal Público, o engenheiro florestal Pedro Jesus, membro da associação que representa os proprietários, afirmou que “foram derrubados mais de uma centena de sobreiros e há 13 proprietários lesados”. O mesmo engenheiro florestal assinalou que a questão foi discutida nesta semana em Loulé, na reunião da Comissão Municipal da Defesa da Floresta Contra Incêndios, e sublinhou que nenhuma autoridade tinha “conhecimento do que se estava a passar”.