De forma quase inevitável, a receção do Inter Milão à Roma desta sexta-feira à noite começou a ser jogada mais de 24 horas antes e bem longe dos relvados. Uma capa de jornal, uma capa que tinha como objetivo visar o reencontro entre os antigos companheiros e agora adversários Lukaku e Smalling, acabou por merecer muitas críticas e obrigar o Corriere dello Sport a uma resposta editorial. O jornal foi banido dos centros de treinos de dois clubes, os dois jogadores reprovaram a manchete e o jogo grande da 15.ª jornada da Serie A arrancava com o pé errado.

Ainda assim, o que esta sexta-feira envolvia de forma direta a partida entre o Inter e a Roma acabava por suplantar quaisquer distrações. O Inter, que não é campeão italiano desde o tempo de Mourinho, conseguiu no fim de semana passado aproveitar o tropeção da Juventus com o Sassuolo para subir à liderança da classificação, com mais um ponto que a equipa de Cristiano Ronaldo. Do outro lado, a Roma de Paulo Fonseca está numa boa fase de resultados que tem como objetivo ir escalando na tabela e subir para lá do atual quinto lugar. Contas feitas e encontravam-se no Giuseppe Meazza duas das equipas em melhor pico de forma em Itália e com as metas mais delineadas.

No Inter Milão, Antonio Conte não abdicava do fiável trio defensivo, com De Vrij, Godín e Skriniar, nem da perigosa dupla ofensiva, que tem estado em especial destaque esta temporada, formada por Lautaro Martínez e Lukaku. Já Paulo Fonseca deixava Dzeko no banco — o avançado bósnio passou a semana doente e falhou alguns treinos — e começava a partida sem uma clara referência ofensiva, com Zaniolo enquanto elemento mais adiantado. A equipa de Conte começou melhor, com Lukaku a ter uma boa oportunidade para inaugurar o marcador logo nos instantes iniciais (6′), mas acabou por ser a Roma a pegar nos desígnios do encontro a partir do minuto 10. Pellegrini, que estava nas costas de Zaniolo mas não atuava como um típico ’10’, caindo mais na meia direita mas avançando mais do que os restantes médios, surgia muito solto no espaço entre De Vrij e Skriniar para desequilibrar e descobrir linhas de passe. Ainda que o conjunto de Paulo Fonseca tenha ido para o intervalo sem ter criado uma clara oportunidade de golo, a verdade é que estava a jogar mais e melhor do que o Inter, que se via obrigado a fazer algo a que não está habituado esta temporada: ver jogar.

O Inter voltou melhor para a segunda parte, com Vecino a ter tudo para inaugurar o marcador mas a encontrar um forte oponente no guarda-redes Mirante, mas os minutos foram passando sem que Lukaku e Lautaro Martínez conseguissem fazer a diferença no marcador. A Roma, que passou grande no segundo tempo a tentar manter o nulo no resultado, ganhou confiança com a falta de acerto do Inter e cresceu já nos últimos minutos, num movimento ascendente que também foi impulsionado com a entrada de Dzeko. No final da temporada, Inter e Roma empataram no Giuseppe Meazza pela quarta temporada consecutiva e Paulo Fonseca tornou-se o primeiro treinador e conseguir defrontar Antonio Conte sem sofrer golos.

Vecino teve várias oportunidades para abrir o marcador na segunda parte mas não conseguiu bater Mirante

O Inter escorregou logo no primeiro desafio depois de tomar a liderança e fica agora novamente à mercê da Juventus, que este sábado visita a Juventus e pode saltar outra vez para o primeiro lugar da Serie A. Num clássico do futebol italiano que começou fora dos relvados pelos piores motivos, Paulo Fonseca justificou todos os elogios que recebeu de Antonio Conte ao longo da semana e mostrou novamente o trabalho denso que está a realizar na Roma — que tem como objetivo cada vez mais palpável ficar em lugares de acesso à Liga dos Campeões depois de ter falhado esse patamar na temporada passada.

“Paulo Fonseca está a provar ser um treinador muito bom. Fez um trabalho importante no Shakhtar. A Serie A é um campeonato muito tático e por vezes demora tempo até os treinadores se habituarem. Os adversários estudam as equipas e preparam os jogos muito bem. Foi um grande passo, mas o Fonseca está a fazer um bom trabalho. Também tenho de dar os parabéns à Roma, é uma equipa forte, muito competitiva e jovem. Toda a equipa é forte, não podemos estar preocupados apenas com um jogador”, disse o treinador do Inter. E Paulo Fonseca só tratou de dar razão ao colega de profissão.