Depois de ter revelado que fazia questão em regressar ao Campeonato do Mundo de Resistência da FIA, conhecido como WEC (World Endurance Championship), a Peugeot anunciou agora que o irá fazer juntamente com a equipa Rebellion Racing. Esta equipa suíça é uma referência entre os privados que correm na Resistência, tendo já disputado o WEC na categoria mais importante (LMP1) entre 2011 e 2016, para depois ingressar na LMP2 desde então.

A curiosidade em relação a este anúncio prende-se com o facto de o regresso da Peugeot ao WEC coincidir com a estreia de uma nova regulamentação, com carros igualmente agressivos e ousados, mas substancialmente mais baratos e similares aos hiperdesportivos de estrada que todos os fabricantes têm de produzir (pelo menos 100 unidades) e comercializar. Isto significa que, antes de 2022, todas as marcas interessadas em participar nas provas que integram o WEC, com destaque para as 24 Horas de Le Mans, vão ter de colocar na rua desportivos impressionantes com motores híbridos que em competição atinjam 750 cv, para um peso de somente 1.100 kg.

A parceria entre a Peugeot e a Rebellion promete ser muito interessante para ambas as empresas europeias, uma vez que permite à Peugeot ter uma presença ao mais alto nível no WEC dentro de três anos, sem contudo ter de reunir uma equipa experiente de técnicos para desenvolver o futuro hypercar e assisti-lo durante as corridas, para a Rebellion deixar de ter de adquirir os chassis à Lola ou à Oreca, passando a herdar material de primeiro nível e necessariamente competitivo, uma vez que a Peugeot, que já venceu as 24 Horas de Le Mans em 1992, 1993 e 2009, pretende repetir a façanha.

Se o que vai acontecer nas corridas em pista interessa a todos os amantes da competição, muito mais interessante é saber como será a versão de estrada do hypercar. É muito provável que exiba um ligeiro chassi em fibra de carbono, como se tratasse de um protótipo de Le Mans, mas mais robusto, um motor mais resistente e algum nível de conforto e espaço interior. Basicamente, a nova regulamentação vai obrigar a Peugeot – e todas as restantes marcas que pretendem disputar o WEC em 2022 –, a fabricar um hiperdesportivo tão próximo do Aston Martin Valkyrie quanto possível.