Um geoparque centrado no património geológico e paleontológico do Algarve pode ser uma realidade dentro de cinco anos, colocando a região na rota dos parques mundiais da UNESCO, segundo vários especialistas reunidos este sábado em Loulé.

“Encontrei no Algarve um conjunto de responsáveis políticos conhecedores do que é o papel de um geoparque, o que me dá muita esperança”, afirmou hoje Artur Sá, coordenador da Cátedra UNESCO em Geoparques na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Loulé, distrito de Faro, numa conferência sobre os desafios e oportunidades do projeto de candidatura do Geoparque Algarvensis à rede da Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).

O especialista – e um dos responsáveis pela criação do Geoparque do Arouca – destacou a importância destes projetos no desenvolvimento de territórios do interior, como é o caso deste aspirante a geoparque, que ocupa cerca de um terço do território algarvio, “longe do mar”, nos concelhos de Loulé, Silves e Albufeira.

Um geoparque reúne as memórias da terra “encerradas nas rochas”, ou seja, o património recebido “como herança”, disponível para que possa ser “estudado e lido”, revela o investigador, realçando, no entanto, que não se trata apenas de geologia, já que o seu propósito é explorar, desenvolver e celebrar os vínculos entre este património e as populações. “Não é um museu, mas um território vivo”, afirmou Artur Sá.

Desde 2018 que uma equipa multidisciplinar de especialistas da Universidade do Algarve e das autarquias trabalha nesta candidatura que inicia agora um novo caminho com a assinatura de um protocolo entre as entidades e a criação de uma associação para o próximo ano, num processo que se avizinha longo, mas “cheio de esperança”, afirmou à Lusa Cristina Veiga Pires, diretora científica do projeto.

Ao tomar a categoria de aspirante, a equipa passa a integrar um restrito grupo e participar, sem voto, mas reuniões dos geoparques nacionais e internacionais, mas estabelecendo contactos e parcerias “essenciais” para uma “candidatura bem-sucedida”, afirmou a investigadora.

O aspirante Geoparque Algarvensis tem como base as descobertas do investigador Octávio Mateus, da Universidade Nova de Lisboa, nomeadamente dos fósseis do Metoposaurus Algarvensis, encontrados em 2010 e 2011, na aldeia da Penina, em Loulé. Este anfíbio pré-histórico, que terá existido no período Triásico, foi identificado como uma nova espécie em 2015.

No entanto, novos estudos nesta área, onde se pensa que terá existido um lago de água doce que foi desaparecendo, permitiram descobrir 12 esqueletos de Metoposaurus algarvensis e outros espécimes que estão a ser estudados pelos especialistas da Universidade Nova de Lisboa para aferir se serão novas espécies até agora desconhecidas, afirmou hoje Octávio Mateus.

Os geoparques são compostos por um conjunto de geossítios ou geomonumentos que testemunham a evolução do planeta Terra, sendo que, no caso desta candidatura, são apontados como locais de interesse geológico a Rocha da Pena, em Loulé, a Grés de Silves ou o vale em torno do Castelo de Paderne, em Albufeira.