O ex-ministro francês François Bayrou, dirigente centrista e próximo de Emmanuel Mácron, foi acusado na sexta-feira por “cumplicidade na apropriação indevida de fundos públicos” no caso dos assistentes parlamentares do seu partido.

A acusação, “anunciada antecipadamente nos jornais, foi decidida contra todas as provas produzidas”, afirmou à agência AFP o advogado de François Bayrou, Pierre Cornut-Gentille, acrescentando: “O resto da investigação mostrará que é totalmente infundada”.

O presidente do partido centralista MoDem, 68 anos, ficou cerca de dez horas na sala de audiências do Tribunal de Paris, respondendo ponto por ponto a todas as perguntas que lhe foram colocadas, de acordo com várias fontes.

Os juízes estão a tentar determinar se os assistentes parlamentares, que também trabalhavam a tempo parcial para o MoDem, cumpriram efetivamente as tarefas financiadas pelos fundos europeus ou se este acordo foi utilizado para financiar fraudulentamente a massa salarial do partido.

O sistema judicial suspeita que François Bayrou seja responsável por todo o sistema supostamente criado pelo partido centrista.

Uma dúzia de líderes do movimento já foram acusados desde meados de novembro neste caso, incluindo a ex-eurodeputada e antiga candidata da Comissão Europeia Sylvie Goulard, o antigo ministro da Justiça Michel Mercier e o diretor financeiro do partido, Alexandre Nardella.

A vice-presidente do Modem, Marielle de Sarnez, que foi ouvida quarta-feira, foi acusada de “desvio de fundos públicos” para o contrato de um ex-assistente. Em relação a outros cinco contratos suspeitos, o juiz colocou-a sob o estatuto intermédio de testemunha assistida.

A abertura de uma investigação preliminar sobre o caso, em junho de 2017, levou à demissão de François Bayrou do cargo de ministro da Justiça.