Os jornais ingleses têm uma espécie de tradição quando chegamos a dezembro para começarem a fazer listas dos melhores. Listas, listas e listas, algumas vezes do um ao 100, sobre os melhores do ano. Mas calma, não ficam só pelos melhores: há os melhores dos melhores, os melhores por posição, os melhores por idade etc. etc. etc. Tantas listas que quase existe a tendência para imaginar mais listas, daquelas improváveis. Exemplo? Uma lista dos avançados com mais entradas duras da Premier League. Vencedor? Duncan Ferguson.

O antigo dianteiro escocês que tem hoje 47 anos passou por Dundee United, Rangers e Newcastle mas foi no Everton, onde esteve dez anos em dois períodos distintos, que mais se destacou. Efusivo, excêntrico e polémico (de tal forma que uma das piadas no Twitter este sábado era o tamanho da parte de “Personal life” na sua página da Wikipedia…), Big Dunc, como também era conhecido, era o tipo de jogador que facilmente se torna amado pelos seus adeptos e odiado pelos adversários. Em 2006, quando pendurou as chuteiras, desligou-se do futebol. Viveu cinco anos em Maiorca, voltou depois a Liverpool para os toffees após resolver os problemas com David Moyes, trabalhou na Academia enquanto tirava o curso de treinador, assumiu agora a equipa principal.

Se dúvidas existissem sobre o peso que ainda hoje tem no clube, a forma como foi apresentado no Goodison Park não deixaram dúvidas: quando todos os jogadores já se encontravam no relvado, o speaker chamou o gigante de 1,93 metros e foi o delírio dos adeptos. Uma manifestação que, pouco depois do arranque do jogo, já se estava a repetir por outras razões: Richarlison, avançado “descoberto” por Marco Silva no Fluminense quando orientava ainda o Watford, começou e concluiu de cabeça uma jogada bem delineada logo aos cinco minutos.

O Chelsea, que entrava para esta 16.ª jornada no quarto lugar a três pontos do Manchester City e a seis do Leicester (o líder Liverpool já é de uma realidade diferente), sentiu dificuldades iniciais, foi equilibrando, saiu a perder para o intervalo e não aprendeu a lição do primeiro tempo: Dominic Calvert-Lewin ganhou uma série de ressaltos à entrada da área no meio da atrapalhação de Christensen e Zouma, ficou na cara de Kepa e fez o 2-0 (49′), com Duncan Ferguson a correr pela linha a festejar com os apanha-bolas como se fosse a final da Liga dos Campeões. Kovacic reduziu pouco depois (52′) mas Calvert-Lewin faria o 3-1 final aos 84′.

No primeiro jogo depois da saída de Marco Silva do comando técnico, no rescaldo de uma série de três derrotas seguidas entre as quais a goleada sofrida em Anfield diante do Liverpool, o Everton regressou aos triunfos contra um dos candidatos aos quatro primeiros lugares da Premier League e saiu dos lugares de despromoção. Sobre o novo treinador, ainda nenhuma novidade (e há outro português na lista, Vítor Pereira). Mas Duncan Ferguson, que saiu com os adeptos de pé a aplaudi-lo quando foi ao relvado, voltou a ser a estrela do clube.