“The God Father, signed and sealed”. “We are the champions”. “Santa Baby”. “Fifty shades of José”. “I stand by the boss”. Até onde pode ir a devoção de um fã perante o seu grande ídolo? No caso de Viv Bodycote, uma inglesa de 62 anos que admira há muito José Mourinho, chega às 38 tatuagens – e a contar. E a história não demorou a passar dos tabloides ingleses para a imprensa internacional pelo caricato, com as explicações da protagonista que já gastou alguns milhares de libras a gravar o técnico português no corpo acompanhado de algumas frases.

“Definitivamente, vale a pena porque amo-o. Estou disposta a gastar mais e já estou a pensar na próxima. Ciúmes do meu marido? Não, nada. Também ama José Mourinho. Vemos os jogos juntos e pergunta sempre por ele. Adorava conhecê-lo, seria uma honra para dizer que tenho muito respeito pelo que conseguiu e que o apoio nos bons e nos maus momentos”, contou, citada neste caso pelo As e pelo Mundo Deportivo, numa história que começou a ser escrita, ou neste caso tatuada, após a saída do Chelsea. O futebol é um jogo de emoções e são muitas as histórias de paixão dos adeptos pelos principais intérpretes, como era percetível também no novo e moderno estádio do Tottenham onde figuravam muitos e muitos sul-coreanos com camisola e cachecol de Son Heung-min. Também ele poderá um dia ter quem tatue a sua imagem porque, aos 27 anos, está cada vez mais influente.

Depois da primeira derrota na era José Mourinho em Old Trafford, a meio da semana, o Tottenham “atropelou” o Burnley com uma “manita” (5-0) que podia ter outra expressão em termos finais (e oportunidades não faltaram). Por mérito próprio e muita velocidade à mistura, até o único senão do português por ter aceite a proposta do clube londrino nesta fase podia ter sido ultrapassado – ir à Arábia Saudita ver aquele que para muitos foi descrito como o combate de boxe do ano, entre Anthony Joshua e Andy Ruíz. “A coisa má de ter agora este trabalho no Tottenham é que não posso estar no combate. Fui convidado pelo príncipe para estar lá mas prefiro estar no jogo com o Burnley. Se o Anthony Joshua vai ganhar? Não sou um especialista, apenas gosto muito do desporto e do Anthony porque é um bom miúdo. Espero que ele ganhe mas no desporto também se pode perder… Vamos ver”, explicou na conferência de imprensa de lançamento do encontro deste sábado.

O português ficou (como teria de ser) mas também acabou por ver e comandar um grande espetáculo, sobretudo na primeira meia hora de jogo: Harry Kane, logo aos quatro minutos, inaugurou o marcador com um grande remate de meia distância; Lucas Moura aumentou a vantagem cinco minutos depois aproveitando um lance confuso na área do Burnley com a bola a pingar perto da linha de golo antes do toque final; e Sissoko acertou no poste ainda no primeiro quarto de hora após mais uma jogada iniciada e com assistência de Son. O conjunto visitante ainda teria também uma bola no ferro antes do golo da tarde, com o sul-coreano (que já tinha ficado aborrecido com Dele Alli numa jogada onde o internacional inglês surgiu isolado com o companheiro ao lado) a agarrar na bola à saída da sua área, a correr todo o campo e a finalizar para o 3-0 (32′).

Num segundo tempo a um ritmo mais moderado e com ainda menos história face à superioridade do Tottenham (de tal forma que Mourinho aproveitou para lançar alguns jovens como Oliver Skipp ou Troy Parrott), Kane voltou a marcar à bomba (54′) e Sissoko fechou as contas à entrada do último quarto de hora (74′). Com este resultado, os spurs subiram à condição ao quinto lugar da Premier League, ficando agora à espera do desfecho do Manchester City-Manchester United (o Wolverhampton, que tem também 23 pontos, joga apenas amanhã). E enquanto segue esse dérbi, é provável que dê uma espreitadela no combate de Anthony Joshua com Andy Ruíz…