Um novo ataque armado a um autocarro no Centro de Moçambique fez um morto e um ferido na noite de segunda-feira, disseram à Lusa fontes locais.

Com este incidente sobe para 11 o total de vítimas mortais, desde agosto, em ataques armados de grupos que deambulam pelas matas da região contra alvos civis e policiais. O ataque aconteceu na estrada nacional 1 (EN1) junto a Muda Serração, no distrito de Gondola, pelas 19h (menos duas horas em Lisboa), depois de a noite cair.

O alvo foi um autocarro que fazia transporte de passageiros de Maputo, capital no país, no Sul, para Quelimane, capital provincial da Zambézia, no Centro. O ferido está a receber tratamento em Gondola, enquanto que a vítima mortal foi transportada para Inchope.

A situação de insegurança afeta dois dos principais corredores rodoviários do país, a EN1, que liga o Norte ao Sul do país, e a EN6, que liga o porto da cidade da Beira ao Zimbábue e restantes países do interior da África Austral – levando ao reforço do policiamento e a escoltas nalguns troços.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) tem responsabilizado um grupo de guerrilheiros dissidentes da oposição, a autoproclamada Junta Militar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), pelos ataques. As incursões acontecem num reduto da Renamo, onde os guerrilheiros se confrontaram com as forças de defesa e segurança moçambicanas e atingiram alvos civis até ao cessar-fogo de dezembro de 2016.

Oficialmente, o partido afasta-se dos atuais incidentes e diz estar a cumprir as ações de desarmamento que constam do acordo de paz de 6 de agosto deste ano, mas um grupo dissidente (considerado “desertor” pela Renamo) liderado por Mariano Nhongo permanece entrincheirado, reivindicando melhores condições de desmobilização.