O Rei de Espanha começa a receber esta terça-feira os líderes de partidos com assento parlamentar antes de tomar uma decisão sobre quem irá propor para próximo primeiro-ministro.

Os representantes dos 19 partidos vão ser recebidos por ordem crescente da sua representatividade, começando com o deputado do Foro Astúrias, Isidro Martínez Oblanca, e terminando na quarta-feira com o chefe do governo em exercício e líder do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), Pedro Sánchez, que tudo indica será o candidato a continuar no mesmo lugar. Neste momento, Sánchez ainda não tem os apoios necessários para ser investido no lugar pelo parlamento.

PSOE e Unidas Podemos (extrema-esquerda) já têm um pré-acordo de Governo, mas precisam que a ERC (Esquerda Republicana da Catalunha, independentista) se abstenha na votação de investidura e permita a formação do novo executivo. As negociações arrastam-se há várias semanas, não sendo ainda possível dizer se o novo executivo pode tomar posse antes do fim do ano, como os socialistas gostariam.

A Esquerda Republicana da Catalunha afirma que não tem pressas e faz depender a sua abstenção a uma série de exigências, entre elas a criação de uma “mesa de conversações” entre os Governos de Espanha e o da região autónoma, onde se possa falar também da questão da autodeterminação da Catalunha. O PSOE já fez saber que não permitirá qualquer compromisso que ponha em causa a Constituição ou a unidade do país.

O número de líderes políticos que vão ser recebidos pelo Rei é de 19, mas podia ter sido ainda maior, 22, se a ERC, a CUP (independentista catalão) e o EH Bildu (independentistas basco) não tivessem declinado deslocar-se ao palácio real de Zarzuela.

Na consulta eleitoral de 10 de novembro último, para o Congresso dos Deputados, o PSOE teve 28,0% dos votos (120 deputados), seguidos pelo PP (Partido Popular, direita) com 20,8% (89), o Vox (extrema-direita) com 15,1% (52), o Unidas Podemos (extrema-esquerda) com 12,8% (35), e o Cidadãos (direita liberal) com 6,8% (10), ERC com 3,6% (13), com os restantes votos divididos por outros partidos regionais.