Saiu de Portugal a 14 de novembro de 2003 para se fixar no Canadá, onde ainda hoje vive, com a mulher e cinco filhos, e durante quase 14 anos não voltou a pisar solo nacional. Ainda assim, este estrangeiro, antigo imigrante em Portugal, foi julgado e condenado a um ano e três meses de prisão com pena suspensa por tráfico de droga em 2012. Descobriu-o da pior maneira quando, em agosto de 2017, aterrou em Lisboa para 15 dias de férias e foi detido.

Apesar de ter facilmente comprovado que não tinha sido ele o homem apanhado a 2 de dezembro de 2009 a vender canábis num carro  junto a um jardim de Lisboa, e de ter ficado claro que tinha sido vítima de roubo de identidade, só agora, mais de dois anos depois, é que os juízes do Supremo Tribunal de Justiça autorizaram a revisão da sentença. O processo foi reenviado para a primeira instância, onde voltará a ser julgado — desta vez tudo aponta para que o ex-imigrante em Portugal, cuja nacionalidade não foi revelada, seja absolvido, diz o Jornal de Notícias, que esta terça-feira noticia o caso.

Quando foi detido em flagrante delito, o traficante de droga, a que entretanto a justiça terá perdido o rasto, apresentou aos agentes da PSP uma Autorização de Residência Permanente e um bilhete de identidade — em ambos figurava o nome do imigrante, na data a morar no Canadá. Oito anos mais tarde, na altura em que o imigrante chegou a Lisboa para passar férias e ficou a saber da condenação que tinha no cadastro, as autoridades compararam documentos originais e cópias, fotografias, assinaturas, impressões digitais e marcas distintivas, como cicatrizes e sinais, e chegaram à conclusão óbvia: “não se trata da mesma pessoa”. Ainda assim, só agora, dois anos depois de ficar provado o roubo de identidade, é que o homem, que entretanto já completou 43 anos, poderá finalmente ser ilibado.