A razão do tom alaranjado da pele do presidente dos Estados Unidos da América sempre foi um segredo bem guardado. Por diversas ocasiões, Donald Trump culpou as lâmpadas de baixo consumo, que são usadas em muitos sítios que frequenta em nome do menor gasto de energia, e que o fariam — a ele e a todos — ficar com uma cor mais alaranjada. Mas, agora, uma investigação publicada pelo Washington Post na semana passada desvendou o segredo. Trata-se, afinal, de um produto de maquilhagem: uma base, o Boosting Hydrating Concealer, cor Orange [Laranja] BHC06, produto da marca suíça Bronx Colors que custa apenas 6,5 euros e que não pode faltar nas estâncias privadas de Donald Trump. Os empregados tinham, inclusive, ordens precisas para testar previamente o produto para ver se a base não estava seca. Problema (e eis a revelação da investigação do Post): os trabalhadores que Trump empregava nesses empreendimentos eram ilegais, e era a família Trump que lhes providenciava cartões falsos da Segurança Social.

Na reportagem, o Washington Post dá conta de que no clube de golf que o atual presidente norte-americano possui no estado de Nova Jérsia (o Trump National Golf Club Bedminster), onde se organizam casamentos e eventos de todos os tipos, trabalharam imigrantes ilegais. Entre empregados da limpeza, cozinheiros e jardineiros, os jornalistas entrevistaram um total de 48 pessoas sem documentação em ordem que trabalharam em 11 empreendimentos de Trump na Florida, Nova Jérsia, Nova Iorque e Virgínia. A maior parte, que já não trabalha para Donald Trump, garantiu que era o empregador que lhes fornecia um número falso da Segurança Social para poderem trabalhar.

É o caso, nota o El País, de Sandra Diaz, que trabalhou no campo de golf da Nova Jérsia, onde se encarregava pessoalmente das instalações privadas do presidente norte-americano. Foi uma das que revelou detalhes das muitas manias de Donald Trump até agora desconhecidas. Além da base, que era sempre da mesma marca e modelo, e que tinha de “testar nas costas da mão para ter a certeza que não estava seca”, havia outras instruções claras. “No armário, tinha sempre de haver seis conjuntos de golfe idênticos: seis pólos brancos, seis pares de calças beges e seis pares de cuecas bem passadas”.

Mais: “Trump adorava os rebuçados Tic Tac, mas não numa quantidade qualquer. Tinha de ter sempre duas caixas cheias de Tic Tacs brancos e uma caixa meio cheia”, lê-se nos relatos feitos pelos ex-funcionários aos jornalistas David A. Fahrenthold e Joshua Partlow do Post. A mesma regra aplicava-se à maquilhagem: tinha de ter sempre duas embalagens de base cheias e uma já a meio. A maquilhagem tinha ainda outro problema: obrigava os funcionários da limpeza a lavar regularmente as camisolas brancas por causa das marcas cor de ferrugem junto ao pescoço.

No Twitter, um dos jornalistas autor da reportagem revelou ainda mais das conversas com as antigas empregadas do campo de golf de Trump. “Perguntámos: De que cor era a maquilhagem? “Una naranja espantosa” [um laranja espantoso], respondeu uma das empregadas”, lê-se na publicação. Foram os funcionários ouvidos por aquele jornal que revelaram a marca do produto. E a publicação da reportagem levou mesmo a um colapso da página online da marca, que ficou entupida com o elevado número de visualizações. A Brox Colors até brincou com isso nas redes sociais, promovendo uma nova campanha: até dia 7 de dezembro, na compra de um produto qualquer na loja online, o recebe “o nosso famoso orange concealer”.