Chelsea e Cristiano Ronaldo não têm propriamente uma grande história em comum. O avançado foi adversário dos blues em vários encontros quando estava no Manchester United ao longo de seis anos, numa determinada fase de Real Madrid chegou a ser apontado à formação de Roman Abramovich, quando saiu de Espanha e rumou a Itália foi o capitão dos ingleses que rumou como estrela ao Santiago Bernabéu (Eden Hazard). De resto, nada de ligação estreita, de motivos para haver amores ou ódios entre ambas as parte. Por isso, não deixou de ser uma surpresa a “farpa” lançada pelo conjunto orientado por Frank Lampard ao dianteiro da Juventus.

“César Azpilicueta tem mais golos do que Cristiano Ronaldo na presente edição da Liga dos Campeões. São dados, não uma opinião”, escreveu a versão espanhola do Twitter dos blues, no seguimento do golo apontado pelo defesa ao Lille que valeu um triunfo à formação inglesa e consequente passagem aos oitavos da principal prova de clubes como segundo classificado onde pode cruzar nos oitavos com… a Juventus. Uma busca um pouco mais demorada revela que, numa entrevista ao canal de Youtube Soccer.com, o português contou que o habitual festejo do “Sssiiiiiiii” começou num jogo com o Chelsea na pré-época de 2013, nos Estados Unidos.

Ainda assim, não parece haver uma ligação direta à provocação com humor à mistura do Chelsea e qualquer tipo de problema com Ronaldo. Aliás, olhando para as duas últimas semanas, parece ter virado moda haver alguém a colocar em causa o atual momento do avançado. Em campo, e na Serie A, o português vai respondendo com golos que de nada valeram à Juventus frente a Sassuolo (2-2) e Lazio (1-3). E chegava à Alemanha para o último jogo na fase de grupos da Champions sem saber ao certo se seria ou não opção inicial de Maurizio Sarri.

“Como decido quem joga no ataque? Na noite anterior, faço um sorteio com eles e vemos quem joga”, brincou o técnico italiano na antecâmara da partida com o Bayer Leverkusen. “Os três estão em boas condições físicas mas o Higuaín vai começar o jogo porque descansou mais nos últimos encontros. Depois, veremos entre os outros dois [Ronaldo e Dybala] quem joga e podemos até fazer um período da partida com ambos em campo”, completou. Coincidência ou não, a melhor Vecchia Signora apareceu com o trio em campo.

Depois de uma primeira parte com um único remate perigoso de Ronaldo (ao lado) e uma bola ao poste de Diaby, a entrada de Dybala para o lugar de Bernardeschi veio revolucionar por completo o setor ofensivo da Juventus e foi a partir desse momento que as chegadas ao último terço tiveram outro sentido prático – e com golos. Ronaldo, após assistência do esquerdino, inaugurou o marcador aos 75′, com Higuaín a fechar as contas do triunfo italiano com um remate de fora da área no período de descontos depois de mais um passe de Dybala.

Ao todo, Ronaldo marcou pelo terceiro encontro consecutivo, chegou aos 128 golos na Liga dos Campeões (ou seja, e mantendo a “farpa” com humor do Chelsea, mais 125 do que Azpilicueta) e teve ainda a companhia de mais três adeptos que invadiram o campo num momento que se tornou moda mas que, neste caso, deixou o português irritado, depois de ser agarrado pelo pescoço por um deles. Segue-se os oitavos para a Juventus, que tem como grande objetivo reconquistar o título europeu numa época onde vai ter mais resistência interna na Serie A (pelo menos do Inter). E com mais uma prova de como o melhor tridente ofensivo traz o melhor da equipa.