O governo de Emmanuel Macron perdeu esta quarta-feira o apoio do principal sindicato que apoiava a reforma do sistema de pensões em França enquanto outros sindicatos apelaram a um reforço à greve depois de se conhecer o plano detalhado do executivo.

“Ultrapassou-se uma linha vermelha”, disse Laurent Berger, líder do CFDT, maior sindicato francês e único grande sindicato que até agora estava ao lado do Governo na criação de um sistema universal de pensões. A linha vermelha terá sido a manutenção de uma idade equilíbrio de 64 anos, que permitirá a majoração da pensão de quem decidir deixar de trabalhar mais tarde.

Esta reação surgiu depois de o primeiro-ministro ter detalhado esta manhã o novo sistema. Para Berger foram apresentadas medidas sociais “insuficientes” no plano do governo.

A França está atualmente a viver o sétimo dia consecutivo de greve, com fortes paralisações nos transportes públicos e comboios de longo curso, mas também protestos por parte dos professores e enfermeiros. Os principais sindicatos dos caminhos de ferro já vieram pedir o reforço da greve por considerarem o sistema de cálculo de pensões através de pontos como “injusto”.

O Governo está a gozar connosco”, insurgiu-se Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, um dos maiores sindicatos interprofissionais em França.

Mesmo com a garantia da idade a ficar nos 62 anos e sem a reforma abranger as gerações nascidas antes de 1975, os sindicatos prometem prosseguir a greve com mobilizações marcadas para amanhã e para dia 17 de dezembro, num protesto que pode arrastar-se até ao Natal.

O primeiro-ministro apresentou no Conselho Económico, Social e Ambiental, em Paris, os detalhes do novo sistema universal de pensões. A totalidade da reforma do sistema de pensões vai começar a ser discutida na Assembleia Nacional a partir fevereiro e deverá entrar em vigor em 2022 para os trabalhadores mais jovens e 2025 para as gerações nascidas a partir de 1975.