A primeira aeronave comercial totalmente elétrica já foi testada. Voou na manhã desta quarta-feira durante 15 minutos em Vancouver, Canadá, perante os olhares atentos de curiosos e jornalistas, e provou o ponto: é possível desenvolver aviação comercial 100% elétrica, sem combustíveis poluentes. “Isto significa o início da era da aviação elétrica”, congratulou-se Roei Ganzarski, chefe executivo da magniX, empresa aeronáutica australiana que desenvolveu o motor, citado pelo The Guardian.

Foi aquela empresa que projetou o motor, tendo trabalhado de resto em parceria com a Harbour Air, a principal empresa de hidroaviões da América do Norte que transporta por ano meio milhão de passageiros entre Vancouver e a estação de ski de Whistler, bem como entre as ilhas e comunidades costeiras ao largo do Pacífico. Segundo Roei Ganzarski, a tecnologia por detrás da construção daquele motor pode significar uma considerável diminuição dos custos para as companhias aéreas bem como zero emissões de gases poluentes. “Isto prova que a aviação comercial inteiramente elétrica pode mesmo funcionar”, disse ainda.

Trata-se de um Beaver DHC-2 de Havilland, um hidroavião construído há mais de 60 anos, com capacidade para seis passageiros e equipado com um motor totalmente elétrico, de 750 cavalos. O piloto do voo-teste foi Greg McDougall, fundador e presidente da Harbour Air, que não notou muitas diferenças entre pilotar este e-Beaver face a um Beaver dito normal. “Foi como pilotar um Beaver, mas era um Beaver com esteróides elétricos”, ironizou no final da viagem, citado pelo The Guardian.

Segundo aquele jornal, a autonomia da bateria de lítio do “e-Beaver” testado nesta terça permite-lhe percorrer apenas cerca de 160 km, o que, ainda assim, corresponde à distância da maioria dos voos atualmente praticados pela Harbour Air, que tem cerca de 40 hidroaviões na sua frota.

O nosso objetivo é eletrificar toda a frota, não há qualquer motivo para não fazer isto”, disse McDougall, que estima em pelo menos dois anos o tempo necessário para atingir a meta, e que acredita que a companhia irá poupar milhões em manutenção, uma vez que o custo da manutenção de motores elétricos é significativamente menor do que o custo de manutenção dos restantes motores.

Depois do primeiro voo concluído com sucesso, resta ainda prosseguir os testes para confirmar a segurança das aeronaves com este tipo de motor. No final de tudo, o motor elétrico da Harbour Air ainda terá de ser aprovado e certificado pelos reguladores do setor.

A verdade é que a aviação civil é uma das maiores fontes de emissão de carbono, e uma das que mais tem crescido, à medida que aumenta também o número de voos comerciais. A própria Organização Civil de Aviação tem encorajado maior uso de motores de biocombustível eficientes e maior uso de materiais de aeronave mais leves, assim como tem recomendado a otimização das rotas para gastar menos combustível.