Desde o lançamento da primeira geração do Nissan Leaf, em 2010, a Noruega foi consecutivamente o líder europeu nas vendas de veículos puramente eléctricos. Um ciclo que está prestes a terminar, pois os números de vendas referentes aos 11 meses decorridos de 2019 colocam, pela primeira vez, a Alemanha na liderança deste pelotão.

Entre Janeiro e Novembro, foram vendidos na Alemanha 57.533 automóveis a bateria, ao passo que na Noruega se transaccionaram no mesmo período 56.893 carros eléctricos. A diferença ainda é “magra” (640 unidades), sobretudo tendo presente que a Noruega possui cerca de 6,4% da população da Alemanha, o que só por si limita a margem de crescimento. Mas o facto de o coração da indústria automóvel europeia se estrear na liderança da tabela de vendas de veículos eléctricos indicia que a transição para a mobilidade eléctrica vai ter um impulso maior do que aquele que até agora vinha a registar. E a realidade é que, embora a comercialização de BEV esteja numa trajectória ascendente, os números ainda são baixos no mix europeu de vendas. Segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, durante o terceiro trimestre de 2019, só 3,1% das novas matrículas corresponderam a veículos eléctricos.

Em declarações à Bloomberg, o presidente do lobby automóvel VDA, Bernhard Mattes, sugere que esse cenário deverá mudar muito em breve, pois os construtores alemães vão investir 50 mil milhões de euros até 2024 na ofensiva eléctrica, com a oferta a triplicar para 150 modelos até 2023.

Os incentivos serão determinantes na procura, sendo a China disso exemplo, pois no maior mercado do mundo para os veículos eléctricos as vendas estão em queda há quatro meses consecutivos, coincidindo essa quebra com a redução dos subsídios governamentais.