O método EPA está para os americanos como o WLTP está para os europeus. É a forma oficial de determinar a autonomia e os consumos dos veículos à venda nos respectivos mercados. Já aqui informámos que o Porsche Taycan está atrasado, dado que depois de ter previsto iniciar as vendas no final de 2019, início de 2020, foi adiado para o Verão. Contudo, este atraso poderá não ser o maior problema do modelo.

Uma vez que a autonomia, tanto de acordo com o EPA como em WLTP, é determinada de forma laboratorial, isto é, em banco de ensaio e de acordo com uma fórmula conhecida por todos os intervenientes, a Porsche realizou os seus cálculos e determinou que o Porsche Taycan Turbo iria ter uma autonomia em EPA de 275 milhas, cerca de 442 km. Este valor pareceu-nos desde logo estranho, uma vez que o método EPA é mais rígido e próximo da realidade do que o WLTP e a Porsche, segundo o método europeu, anuncia entre 381 e 450 km para o Taycan Turbo com 680 cv.

Com base nos 442 km para os EUA, o Taycan abriu o período de encomendas, mas repentinamente instalou-se algum mal-estar, depois de a EPA publicar os seus cálculos para a autonomia do segundo mais potente dos Taycan, uma vez que a liderança pertence ao Turbo S, com 761 cv e, tudo indica, uma autonomia ainda mais baixa. De acordo com o método EPA, o Porsche Taycan Turbo afinal percorre apenas 201 milhas entre recargas, ou seja, 323 km de autonomia, em vez dos anunciados 442 km.

Não só isto não é uma boa notícia para a marca, como também poderá desagradar a alguns clientes que, de repente, passaram a ter o modelo com menos autonomia do mercado. Frente aos 323 km do Taycan Turbo, o Audi e-tron oferece 328 km (em breve cerca de 350 km aos clientes que actualizem o software de gestão da bateria), o Jaguar I-Pace 376 km e o Tesla Model S Performance uns brutais 560 km. Quer isto dizer que o Tesla disponibiliza mais 73% de autonomia, uma diferença que não abona a favor do tradicionalmente forte pendor tecnológico do fabricante alemão.