Por motivos óbvios através de videoconferência, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, protagonizou esta quarta-feira um momento que vai diretamente para o top dos mais invulgares da Cimeira do Clima, que decorre até esta sexta-feira, 13, em Madrid. Ao longo de 10 minutos, conversou com um astronauta em órbita, a bordo da Estação Espacial Internacional, sobre as alterações climáticas visíveis desde lá de cima.

Luca Parmitano, italiano, 43 anos, ao serviço da Agência Espacial Europeia desde 2013, ano em que embarcou na primeira expedição de longa duração (a que apropriadamente chamou “Volare”), não foi muito animador, garantindo que são muitas as “fragilidades do planeta que se observam do espaço”: “Nos últimos seis anos assistimos a grandes mudanças, já vi desertos a avançar e glaciares a derreter”.

Questionado pelo português António Guterres sobre o que considera mais belo e o que lhe parece mais frágil na Terra que observa desde o espaço, Luca Parmitano foi desconcertante e, se recusou escolher entre o que vê de mais bonito, não hesitou no que toca à segunda parte da questão: “A coisa mais frágil? Acho que nós somos a coisa mais frágil, senhor. Nós, os humanos”. “Porque a vida na Terra vai continuar bem depois de nós termos desaparecido. O que nós temos de decidir é se vale a pena investirmos as nossas frágeis vidas para que possamos continuar a ser bons cuidadores da Terra. Nós somos o laço frágil, somos o elo mais fraco da cadeia”, continuou.

Em setembro, o astronauta italiano já tinha pedido, também desde o espaço, medidas urgentes de combate às alterações climáticas. “Desde os atóis que estão a desaparecer nas Maldivas; aos glaciares que estão a encolher no Ártico, na América do Sul, na Europa e na Ásia; às florestas que arderam e às intensas ondas de calor registadas em toda a Europa durante este verão; aos devastadores e cada vez mais intensos furacões — o impacto humano é visível e tangível e a não ser que tomemos medidas coordenadas agora para reduzir as emissões de dióxido de carbono e parar, se não reverter, o aquecimento global, vamos perder muito, muito mais”, avisou Luca Parmitano.