A Ucrânia anunciou esta quinta-feira a detenção de diversas pessoas suspeitas de envolvimento no assassínio do jornalista Pavel Sheremet, um crítico do Kremlin e das autoridades ucranianas, morto por uma bomba no centro de Kiev em 2016.

“A polícia deteve (…) pessoas envolvidas na morte de Pavel Sheremet”, anunciou o ministro do Interior Arsen Avakov em mensagem no Twitter, que se referiu a “um passo importante no esclarecimento deste caso”. O ministro prometeu mais detalhes para uma posterior conferência de imprensa.

Jornalista pró-ocidental, crítico dos poderes russo, ucraniano e bielorrusso, Pavel Sheremet foi morto em 20 de julho de 2016 pela explosão de uma bomba colocada na viatura que conduzia em pleno centro de Kiev. O seu assassinato, com um grande impacto no país eslavo, não foi elucidado até ao momento.

Reputado pela sua independência, este homem de 44 anos, natural da Bielorrússia, foi recompensado com diversos prémios. Trabalhava para o influente site de informação ucraniano Ukrainska Pravda e animava uma emissão matinal numa rádio de Kiev.

Sheremet tinha trabalhado na televisão nacional bielorrussa antes de deixar a Bielorrússia devido a um conflito com o regime do Presidente Alexandre Lukachenko e fundar o Belarousski Partizan, um popular site de informação na internet.

De seguida instalou-se na Rússia, onde obteve a nacionalidade russa e trabalhou para duas cadeias de televisão públicas, antes de se aproximar da oposição e demitir-se em 2014 num protesto contra a linha editorial da estação. De seguida optou por se instalar em Kiev, onde não hesitou em atacar as autoridades e a elite política ucraniana, e prosseguindo as críticas ao Presidente russo Vladimir Putin.