O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, elogiou esta quinta-feira o “prestígio europeu” do primeiro-ministro, António Costa, apontando-o como um exemplo de portugueses “considerados muito bons” fora do país, mas que internamente não são tão valorizados.

O chefe de Estado fez esta análise a propósito do programa “Desportistas no Palácio de Belém”, em Lisboa, que esta quinta-feira contou com a participação do motociclista Miguel Oliveira, depois de falar das semelhanças entre desporto e política e das figuras que se destacam no plano internacional e que são referência para os mais jovens.

“Com a política, eu chego lá fora — e os portugueses não acreditam — e lá fora acham que políticos que cá dentro nós achamos às vezes que não são tão bons quanto isso, lá fora são considerados muito bons”, declarou o Presidente da República aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa começou por apontar os casos do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que “era considerado o máximo na Europa” quando era primeiro-ministro de Portugal, dos antigos presidentes da República Jorge Sampaio e Mário Soares, mas também “em certos aspetos” do antigo primeiro-ministro Durão Barroso, e do atual ministro das Finanças, Mário Centeno.

Pessoas de vários quadrantes que cá dentro nós dizemos: está bem, são bons, enfim. O primeiro-ministro António Costa, estou à vontade para o dizer, de facto, tem um prestígio europeu que as pessoas cá dentro, uma parte do país diz: mas como é que é possível ter? Mas é verdade”, acrescentou.

O Presidente da República questionou “por que é que os políticos portugueses têm tantos lugares internacionais” e deu a resposta: “É porque, de facto, os portugueses quando atingem um determinado nível cá dentro, e muitas vezes não são considerados, depois lá fora são considerados”.

Os políticos, cientistas, desportistas, artistas, escritores. As pessoas perdem a cabeça no sentido de admirar, mais do que nós, muitas vezes, admiramos. E quando eu digo isso cá dentro, dizem: lá está o Presidente, tem a mania de puxar por nós, puxar pelo ego. Mas não é”, sustentou.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que, quando liderava o PSD, “ficava estupefacto quando chegava lá fora” com a reputação de António Guterres junto não só dos socialistas europeus, mas também democratas-cristãos e liberais. “De facto, nós às vezes minimizamo-nos. E foi bom ouvir aqui atletas que são dos melhores do mundo explicar por que é que são dos melhores do mundo a estas crianças“, concluiu.

Antes, sobre as semelhanças entre a vida dos desportistas e dos políticos, o Presidente da República realçou “o grau de preparação que é preciso ter para se chegar ao topo na política”.

Pode-se chegar por acaso, pode-se chegar por circunstâncias várias, mas há muitos passos feitos antes, muitas vezes não visíveis, que são importantes. Depois a capacidade de antecipação. Eu às vezes tenho tido essa discussão com outras pessoas que estão na vida política, porque sou muito meticuloso, embora dando a sensação de muito improviso”, prosseguiu.

Assim como o piloto Miguel Oliveira “antecipa curva por curva” o trajeto da sua próxima prova, “estuda bem, para tentar reduzir o que é imprevisível e imponderável”, Marcelo Rebelo de Sousa descreveu-se como alguém “meticuloso a olhar como é que o mundo vai ser, como é que a Europa vai ser, o que é que vai haver em Portugal”.

“Há muitas coisas de preparação, de trabalho de bastidores que é preciso fazer e quem olha de fora não tem a noção”, observou.