A pergunta sobre o túnel do Jamor era inevitável mas, antes, Sérgio Conceição ainda falou sobre a vitória frente ao Feyenoord, sobre a passagem aos 16 avos de final da Liga Europa como primeiro classificado do grupo e sobre as ambições do FC Porto na competição que venceu em 2011, último ano em que Portugal tinha estado representado por quatro equipas na primeira parte a eliminar após a fase de grupos. E foi para aí que o treinador apontou mais a sua veia ambiciosa, apontando se possível para uma presença na final que se irá realizar em Gdansk (com o “brinde” de, em caso de triunfo, poder disputar a Supertaça Europeia de 2020 no Dragão).

“Somos um clube histórico, um clube com peso e vamos dignificar a história deste clube. Temos de trabalhar alguma situações muito importantes mas ir o mais longe possível é chegar a uma possível final. Vamos falar no balneário, porque obviamente não está tudo bem, mas vamos trabalhar em cima desses erros para tornar a equipa mais forte”, referiu o técnico dos azuis e brancos ainda na zona de entrevistas rápidas.

“Espírito ambicioso? É algo que entra no balneário, porque representamos um clube histórico, que mais do que uma vez ganhou esta competição. É um trajeto extremamente difícil, as equipas estão competitivas, basta vermos a final do ano passado [Chelsea-Arsenal, com vitória dos blues] e concluímos que existe muita qualidade. Para nós será complicado mas é disso que gostamos e é isso a que estamos habituados. Fizemos duas fases de grupos da Champions muito acima da média nos últimos dois anos e caímos aos pés do Liverpool, que é o campeão da Europa. Temos tudo para fazer uma boa viagem nesta Liga Europa”, acrescentaria mais tarde, antes de abordar também a presença de quatro equipas portuguesas na próxima fase da competição.

É um resultado que tem qualidade e é pena que em Portugal não se fale exatamente disso, há mais criticas que o Sérgio Conceição recebe porque planeou mal o jogo ou fez mal a substituição. Temos uma imagem fantástica na Europa, o Vitória [de Guimarães] até foi ganhar à Alemanha. Os meus parabéns às outras equipas portuguesas que conseguiram passar e que tenhamos uma boa prestação nos 16 avos de final. Nós estamos preparados”, disse Sérgio Conceição.

Em relação ao triunfo por 3-2 frente aos holandeses, o técnico portista admitiu que “não foi com o brilhantismo” que gostava que tivesse. “Em termos ofensivos faltou eficácia e defensivamente podíamos e deveríamos ter sido mais equilibrados. Valeu pelo espírito, pela equipa. Estávamos a ganhar por 2-0, tivemos a possibilidade de talvez matar o jogo e entretanto sofremos de rajada dois golos, que poderiam de certa forma inibir a equipa. Temos jogadores com grande caráter. Na segunda parte fomos mais equilibrados defensivamente, podíamos ter saído com mais critério, mas também surgimos com alguma fadiga na parte final”, analisou.

“Aquilo que posso garantir sempre é o espírito de combatividade, a ambição e a vontade de representar este clube da melhor forma. Isso não nos falta. Pode haver erros, quer dos jogadores, quer meus, mas todos juntos somos mais fortes e é isso que queremos passar. Agora temos três jogos muito importantes, da Taça de Portugal, da Taça da Liga e do Campeonato, que é o principal objetivo da época”, concluiu Sérgio Conceição.

Sobre o túnel do Jamor, e depois de ter sido formulada a pergunta, o treinador manteve-se exatamente na mesma posição, o assessor de comunicação Rui Cerqueira pediu a questão seguinte e Sérgio Conceição ajeitou apenas o microfone como que a preparar o assunto que se seguiria. Nem mesmo no dia em que se ficou a saber que vai ser aberto um inquérito para apurar o que se passou no intervalo do Belenenses SAD-FC Porto houve reação.