“Os amigos do Vox Cádiz são tão pouco, tão pouco racistas que dão as Boas Festas com um postal com os reis magos em que o Baltasar é branco”; “Quando estás triste, pensa que o Vox desejou Feliz Natal com três reis magos brancos”; ou ” Se a malta do Vox soubesse que o Melchior era da Pérsia, o Gaspar da Índia e o Baltasar da Arábia, e que passavam de um país para o outro sem passaporte, punham-nos num centro de deportação para estrangeiros”. Estes foram apenas alguns dos comentários ao postal de Natal da delegação de Cádiz do Vox, em que todos os reis magos são brancos, incluindo Baltasar,  tradicionalmente representado com um tom de pele bem mais escuro, nas redes sociais.

A polémica natalícia está ao rubro em Espanha mas, ao jornal El Confidencial, fontes do partido de extrema-direita garantiram que a imagem posta a circular via Whatsapp não deveria sequer ter saído do computador da funcionária a quem Juan Carlos Sanz Martín, presidente do Vox Cádiz, pediu alguns esboços. “Alguém o divulgou”, acusaram essas mesmas fontes, que também avisaram: a direção central do partido já pediu explicações e está a investigar, para perceber de onde partiu a fuga de informação.

De acordo com os responsáveis do Vox, o esboço do postal nunca deveria ter sido divulgado

Terá sido de um banco de imagens gratuito que a funcionária incumbida da tarefa retirou três potenciais imagens para ilustrar o postal: uma tinha uma estrela, outra os três reis magos caucasianos, e uma terceira reproduzia o nascimento do menino Jesus, explicaram fontes do Vox ao jornal espanhol. Depois de ter imediatamente chumbado a primeira proposta, Sanz Martín terá pedido à funcionária que desenvolvesse as outras duas ideias — e entretanto pôs a direção do Vox, em Madrid, ao corrente do projeto.

De acordo com a versão relatada ao El Confidencial, terá sido Madrid a afastar a hipótese dos reis magos: “Não podia ser, em circunstância alguma.” Daí até que a imagem do postal alegadamente chumbado, com a ilustração e uma mensagem de festas felizes assinada por Juan Carlos Sanz Martín, estivesse a circular de telefone em telefone passaram poucos dias. Nem Juan Carlos Sanz Martín nem Santiago Abascal, presidente do partido, quiseram até agora comentar a polémica.