As autoridades de saúde angolanas lançaram esta sexta-feira a segunda ronda da campanha de vacinação contra a poliomielite, que prevê imunizar na capital do país, Luanda, 1,6 milhões de crianças menores de 5 anos.

A ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, procedeu ao lançamento da campanha que decorre até domingo e vai realizar-se, além de Luanda, nas províncias do Bengo, Bié, Cuanza Sul, Huambo, Huíla, Lunda Norte, Lunda Sul, Malanje e Moxico, prevendo a vacinação de mais de dois milhões de crianças. Para a campanha estão mobilizados além de profissionais da saúde, as Forças Armadas Angolanas, Polícia Nacional e o Serviço de Proteção Civil e Bombeiros.

Angola está a enfrentar um surto de poliomielite desde maio deste ano, com 49 casos confirmados, segundo dados divulgados no início deste mês pela Organização Mundial de Saúde (OMS), tendo por isso o Ministério da Saúde procedido já à vacinação de 4,5 milhões de crianças, em 15 das 18 províncias do país.

Depois de vários anos sem casos de poliomielite, Angola está a enfrentar um surto da doença, causado por um vírus vivo atenuado pela vacina oral da poliomielite, que se reproduz nos intestinos rapidamente, sendo depois excretado nas fezes para o ambiente, infetando crianças que não estão imunizadas.

O secretário de Estado da Saúde angolano, Franco Mufinda, aquando do anúncio da segunda ronda de vacinação, que arrancou esta sexta-feira, admitiu que a cobertura de vacinação ronda entre os 70% a 80%, havendo um hiato de 15% a 20%.

“Aqui em Angola, e em muitos países do mundo, temos muitos pontos cinzentos quanto a vacinação de rotina”, disse Franco Mufinda, apontando como causas a “rejeição por questões culturais, religiosas, ou pela falta de acesso ao sistema de saúde”.