Reina o desespero entre os fabricantes de automóveis que comercializam os seus produtos na União Europeia (UE). Há 10 anos, Bruxelas decidiu que a média de emissões de CO2, da gama de cada marca, não poderia exceder 95 gramas e apesar da média em 2018 ainda ter sido de 120,4 g, todos os construtores estão a ser colocados perante um dilema: ou cumprem ou as multas aplicadas em 2020 serão de tal forma violentas que podem comprometer a sua sobrevivência.

Além de estabelecer os limites de emissões de 95 g de CO2 para 2020, Bruxelas definiu em Abril que esta fasquia baixaria 15% para 2025 e 37,5% para 2030, o que obrigará a cerca de 30% de veículos eléctricos na gama de cada fabricante, embora os híbridos plug-in (PHEV) também contribuam para a redução do valor total de dióxido de carbono. Isto coloca as marcas perante duas dificuldades pois, por um lado, têm de conseguir produzir os veículos necessários e, por outro, têm de encontrar clientes com vontade de adquirir veículos mais caros e com limitações em termos de recarga.

Neste cenário, que tem provocado uma enorme pressão sobre a esmagadora maioria dos construtores, tendo ainda levado a despedimentos para fazer face à produção de um novo tipo de veículos, com menos peças e mais rápidos de montar, os fabricantes são agora surpreendidos pelas declarações da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que manifestou a sua vontade de reduzir ainda mais os limites de CO2 anteriormente estabelecidos. Sempre esteve prevista a possibilidade de rever os objectivos em Junho de 2021, altura em que se iriam analisar os valores médios de cada marca atingidos em 2020. Leyen anuncia que “a Comissão proporá a revisão das metas para garantir o rumo face à mobilidade com zero emissões”, tal como surge no Pacto Ecológico Europeu (European Green Deal).

Questionada sobre se isto significava apertar ainda mais os limites já acordados para 2025, a presidente da Comissão optou por não responder, mas a recém-eleita dirigente europeia assume como uma das suas principais prioridades para os próximos cinco anos o controlo dos problemas ambientais. Tendo em conta que os veículos de transporte são responsáveis por 1/5 das emissões de gases com efeito estufa, é natural que esta indústria volte a ser “apertada” para garantir que será possível atingir a neutralidade carbónica na UE em 2050.

Antes de impor novos limites, a Comissão analisará o impacto económico de tais medidas e terá de requerer aprovação do Parlamento Europeu, informou um porta-voz. A associação dos fabricantes alemães, VDA, já fez saber a sua oposição às alterações, no que foi secundada pelo português Carlos Tavares, CEO da PSA e actual presidente da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis.