O presidente do Conselho de Administração da Lusa, Nicolau Santos, afirmou esta quinta-feira que espera que a agência noticiosa se mantenha em Macau durante “séculos”, considerando que esta é a “mais importante” delegação da sua rede.

“O facto de Macau constituir a plataforma chinesa para a ligação aos países de língua oficial portuguesa torna ainda mais imperiosa a nossa presença na RAEM [Região Administrativa Especial de Macau]. Chegámos há quatro décadas, esperamos ficar séculos”, disse Nicolau Santos na inauguração da exposição fotográfica “Macau 20 anos”, na sede da agência, em Lisboa.

Para Nicolau Santos, a exposição “retrata o trabalho” dos fotojornalistas da agência e representa uma “homenagem a todos os profissionais que tornaram a Lusa numa agência noticiosa incontornável em Macau”.

O presidente da Lusa considerou que a transferência da administração de Macau de Portugal para a China foi um “momento de enorme elevação e de grande significado histórico”, num processo “delicado e sensível, mas de que os dois países se podem orgulhar”.

Nicolau Santos entende que a transferência da administração de Macau permitiu “estreitar os laços políticos, diplomáticos, económicos e culturais” com um país que nos últimos anos se tornou “um dos principais investidores estrangeiros em Portugal”.

“Não podemos ignorar não só a emergência da China, como grande potência do século XXI, como uma ligação cada vez maior e que quer manter com os países de língua portuguesa, e em particular com Portugal, como ainda que Macau representa para o povo português. É por isso que nos orgulhamos de ser a única agência estrangeira a operar na região, e é por isso que a delegação da Lusa em Macau é a mais importante da nossa rede internacional, que se estende por cinco continentes e por 21 países”, comentou.

O presidente da agência noticiosa portuguesa destacou ainda que “a marca de água mais importante da Lusa é a informação que produz nos países africanos de língua oficial portuguesa”. “É nessa informação que assenta a nossa força e a nossa especificidade, é ela que nos distingue de todas as outras agências internacionais. É por isso que no nosso reforço estratégico se encontra como objetivo o reforço da nossa posição nesses países, aumentando a produção de textos, áudios e vídeos”, vincou Nicolau Santos.

Na cerimónia estiveram presentes o embaixador da China em Portugal, Cai Run, o secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, e o general Garcia Leandro, antigo governador de Macau.

Após mais de 400 anos sob administração portuguesa, Macau passou a ser uma região administrativa especial da China em 20 de dezembro de 1999, com um elevado grau de autonomia acordado por um período de 50 anos, com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.