O ministro das Relações Exteriores do Brasil disse que o povo brasileiro adquiriu “aversão” ao ex-Presidente Lula da Silva e que as pessoas têm tido reações negativas às suas aparições públicas.

Questionado sobre o regresso do antigo Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva às ruas para se opor ao atual executivo e provar a inocência, Ernesto Araújo declarou que “é necessário que a justiça corra, destacando que o ex-Presidente foi condenado e não foi inocentado”.

Considerou ainda que, nas suas aparições públicas, o ex-Presidente tem merecido “reação mito negativa” e “completamente espontânea” por parte da população.

“As pessoas adquiriram uma aversão muito grande à figura do ex-Presidente Lula”, salientou o chefe da diplomacia brasileira, numa entrevista à Lusa em Luanda.

O antigo chefe de Estado, condenado duas vezes por corrupção, aproveitou o lançamento de uma nova edição do seu livro “A Verdade Vencerá”, para anunciar o seu regresso em janeiro.

“Eles têm que saber que a partir de janeiro o Lula estará nas ruas outra vez”, afirmou Lula da Silva, na terça-feira, em São Paulo. Lula, libertado em novembro após 580 dias na prisão, garantiu que tem “um compromisso de fé com o povo brasileiro” e nas futuras marchas “vai provar” ao Brasil que “não pode ser governado pelo tipo de gente” que atualmente se encontra no executivo liderado por Jair Bolsonaro.

Ernesto Araújo referiu que o Governo brasileiro não está preocupado com o regresso de Lula da Silva, nem a pensar nas próximas eleições porque “quer dar seguimento” ao seu programa e pôr a economia a crescer.

“Os números são bons, os fundamentos são bons, os juros estão baixos”, vincou o ministro, congratulando-se também com a captação de mais investimento estrangeiro.

O governante afirmou igualmente que este é o Brasil real em que “a alegria de crescer” é que preocupa, sublinhando que é preciso “boa informação” que mostre a realidade das políticas do Brasil “em vez de viverem numa bolha”.

Questionado sobre a visão do Governo brasileiro face a Greta Thunberg, considerou tratar-se de uma pessoa que “vive com todo o conforto” e que “quer aparecer” suportando-se em imagens e ‘slogans’ “totalmente superficiais, que não têm nada a ver com a vida das pessoas que trabalham” e tentam mudar os seus países, combater a corrupção e criar oportunidades e também defender o ambiente, na prática.

“O importante é sair dessa bolha e procurar informar-se sobre o Brasil”, referiu.

O Presidente Jair Bolsonaro apelidou a ativista sueca de 16 anos de “pirralha” ao ser questionado por jornalistas a propósito da morte de dois índios da etnia Guajajara que Greta Thunberg disse terem sido assassinados por tentarem proteger a floresta do desmatamento.

Esta semana, a revista Time elegeu a adolescente, que se tornou o rosto do movimento de emergência climática, como Personalidade do Ano.