Ainda vão ser precisos “pelo menos dois anos” para que Portugal chegue ao rating de nível A, prevê Cristina Casalinho, presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), em entrevista ao Jornal Económico. E isso é na melhor das hipóteses — “se o padrão de comportamento se mantiver, e se tudo correr bem, se não houver aqui nenhum percalço e se em todas as próximas janelas houver atuação”. “Falta um bocado, é um processo lento, vai demorar”, admite a presidente.

Essa classificação seria importante para atrair os investidores japoneses, que tendem a fugir de ratings negativos entregues pelas agências: ” O rating em nível A é importante para este universo de investidores. Não para todos, mas para uma grande percentagem de investidores. Até porque, como muitas pessoas dizem, os investidores japoneses têm uma caraterística de comportamento, seguem-se uns aos outros – se um vai por um caminho, outros seguem. É uma questão cultural”, considerou Cristina Casalinho ao Jornal Económico.

Para a presidente da IGCP, 2019 foi “um ano muito positivo, com alguns marcos históricos” no que toca à gestão da dívida pública portuguesa: “É claro que isto tem a ver com o contexto europeu, mas também se pensarmos em termos de valorização relativa, quer em relação à Alemanha quer com os nossos pares como Espanha, o que vemos é que o spread que esteve durante muito tempo acima dos 100% e este ano quebrou a barreira”, analisa Cristina Casalinho.

Para a economista, pesou também “o facto de a curva portuguesa estar a transacionar em yields abaixo dos 0,50% até aos prazos de cinco anos”: “Chegou a haver uma ocasião em que estávamos quase até oito anos a transacionar em níveis negativos. Portanto, em termos de custo de financiamento, tivemos claramente um ano de números que historicamente nunca tinham sido observados”, respondeu ao Jornal Económico.

Para o próximo ano, a presidente da IGCP prevê “uma almofada financeira na ordem dos 6,8 mil milhões”: “A almofada financeira tem vindo a ser reduzida. Na sua génese, ainda durante o programa, era uma condição”, começa por explicar. E conclui: “Depois, lentamente e com o acesso ao mercado, essa almofada, ou esse excedente de liquidez foi sendo mais baixo. Depois reduziu para 50%. Antes das subidas das agências de rating para grau de investimento tínhamos andado na ordem dos 40%, mas progressivamente podemos baixar. Há uma queda para este ano, mas para o ano não há queda, e isso decorre exatamente do perfil intraanual para 2021 ser mais exigente”.