A BMW começou por construir o seu primeiro veículo eléctrico em 2013, extremamente avançado (em termos de chassi) e caro, ao recorrer a uma estrutura em fibra de carbono para o tornar mais leve, para lhe reforçar a agilidade. Agora prepara uma segunda geração de modelos a bateria, já concebidos de acordo com uma nova vaga de modelos com zero emissões, sendo o primeiro a surgir o iX3, um SUV eléctrico com base no X3. E a este vão seguir-se outros, muitos outros.

Sucede que a BMW necessita de cumprir o limite de 95 gramas de CO2/km em 2020, fasquia que depois vai baixar 15% em 2025 e 37,5% em 2030, o que implica a venda de cerca de 30% de modelos alimentados por bateria, além de híbridos plug-in (PHEV), altamente beneficiados pelo legislador pela forma como permite que se calcule o consumo (e respectivas emissões) apenas nos primeiros 100 km.

A BMW pretende surgir com dois modelos exclusivamente a bateria em 2020 (o iX3 e o i4, uma berlina com base no Série 4) e, para 2021, tem apenas agendado o iNext, um crossover eléctrico topo de gama, isto entre um número cada vez maior de PHEV. Tendo previsto apenas três veículos eléctricos para os próximos dois anos, é provável que as vendas do i3 tenham despertado o interesse dos responsáveis alemães, visando somá-las às dos novos modelos a bateria.

Esta estratégia faz ainda mais sentido se tivermos em conta que o i3 tem vindo a crescer em vendas, sobretudo porque a BMW tem vindo a incrementar regularmente a capacidade das baterias, não por dispor de mais espaço para alojar acumuladores, mas porque a evolução da química das baterias permite incrementar a capacidade sem mexer no volume e no peso. Apenas porque o que verdadeiramente evolui é a densidade energética.

O responsável pela fábrica da BMW em Leipzig, Julian Friedrich, de onde saem os i3, anunciou ao Leipziger Volkszeitung que o primeiro eléctrico da marca, nascido há seis anos, vai ficar no activo até 2024, ou seja, durante mais cinco anos.

O seu fim já foi anunciado algumas vezes, o que se compreende por não fazer parte da nova família de modelos eléctricos que a BMW está a preparar. Mas a vender um total de 35.000 unidades em 2018, valor que deverá aumentar este ano, faz sentido que os alemães não abram mão deste volume de vendas. Sobretudo, quando necessitam do contributo de todos os veículos com zero emissões durante 2020 e nos anos seguintes. Pelo menos, até surgir uma nova família de veículos. E entre todos os BMW eléctricos de que se fala, todos eles são maiores e mais caros (teoricamente) do que o i3.