O sobrinho do primeiro-ministro do Paquistão está a ser procurado pelas autoridades depois de ter participado num ataque que cerca de 200 advogados fizeram a um hospital em Lahore, obrigando a que médicos e outros funcionários se escondessem e que levou à morte de três pacientes.

É uma imagem improvável, mas foi mesmo isto que aconteceu: vários advogados irromperam por um hospital cardiológico em Lahore vestidos de fato e gravata e, lá dentro, entraram pelas várias divisões do edifício e partiram equipamentos, mobília e atacaram profissionais.

Durante o ataque, que durou cerca de duas horas e só foi interrompido depois de a polícia ali ter entrado utilizando granadas de gás lacrimogéneo, morreram três pacientes por falta de cuidados médicos.

O ministro da Informação do governo provincial de Punjab, Fayaul Hasan Chohan, também esteve no local para tentar mediar entre os advogados e os funcionários do hospital, mas sem sucesso. De acordo com o que contou, acabou por ser também ele alvo de agressões por parte dos advogados em protesto.

“A minha vida esteve em risco. Torturaram-me, até dispararam na minha direção e tentaram raptar-me”, denunciou aquele governante. “Eles tinham tudo planeado, diziam ‘apanhem-no’. Houve duas pessoas que me tentaram levantar pelas pernas.”

Na origem dos ataques esteve outro episódio de violência naquele hospital, decorrido em novembro. Nessa altura, um grupo de médicos e funcionários daquele hospital terão agredido um advogado, que terá exigido passar à frente na lista de espera. De acordo com a Reuters, esse episódio de violência foi registado em vídeos, que foram prontamente disseminados entre advogados.

Desde aquele ataque, que aconteceu esta quarta-feira, já foram detidos cerca de 80 advogados.

Agora, no ataque que os advogados fizeram àquele hospital de Lahore, sabe-se que esteve presente Hassaan Niazi, sobrinho do primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan. Hassaan Niazi é agora procurado pela polícia e a sua casa já foi alvo de buscas, apesar de ele não estar presente.

O próprio Hassaan Niazi já se demarcou daqueles protestos, através de um post no Twitter onde um médico se queixava das consequências daquelas manifestações, que resultaram na morte de três pacientes.

“Depois de ver este vídeo, fiquei com vergonha de mim mesmo. Isto é homicídio!!! O meu apoio aos protestos estava limitado a que se iniciassem as medidas legais necessárias contra os médicos em questão. Só apoio manifestações pacíficas. Hoje é um dia triste e agora condeno-me a mim próprio por ter apoiado esta manifestação”, escreveu o sobrinho do primeiro-ministro no Twitter.