Ronaldo tem uma série de ligações mais “improváveis”, daquelas que nascem quando se vão cruzando em eventos desportivos ou através de amigos comuns. Algumas estão no UFC, como o polémico e excêntrico Conor McGregor que, numa entrevista à FIFA (sim, isto aconteceu), descreveu o português como um exemplo. “Ele é um desportista, uma pessoa e um empreendedor fenomenal. A disciplina, a atitude perfecionista e a dedicação ao seu sonho… É inspirador para muitos miúdos querem jogar futebol”, disse. Mas há ainda a amizade com o também polémico e excêntrico Khabib Nurmagomedov, que derrotou o irlandês naquele que foi o mais mediático combate de sempre de uma modalidade em crescimento. E o conselho do russo para CR7 foi num outro sentido.

Ronaldo tem mais 125 golos do que Azpilicueta na Champions. São dados, não opiniões (mas a noite não acabou bem…)

“É difícil deixares algo que fizeste durante toda a vida mas independentemente de quereres retirar-te ou não, chegará uma altura em que se tu não deixares o desporto, será o desporto a deixar-te a ti. Se não te retiras no momento certo vais acabar por ficar para trás, pois surgirão novos campeões, mais jovens, com mais ‘fome’ e maior motivação. Até porque não consegues manter a mesma motivação que tinhas no início e ao longo da tua carreira. Que idade tem Ronaldo? 34? Aos 35 não terá a mesma condição física e capacidade de reação. Não importa se se trata do Ronaldo ou do Khabib, irá sempre surgir alguém que ocupará o nosso lugar. O conselho que lhe dou, tanto a ele como a mim mesmo, é sair no momento certo”, disse em entrevista recente.

“Ainda não lhe pedi conselhos sobre o futuro porque me sinto bem, mas quando perder essa capacidade em alguns aspetos talvez tenha de consultá-lo. Por agora está a jogar bem, também estou bem, portanto não temos problemas com isso”, acrescentou. E para quem tenha lido essas declarações, Ronaldo vestiu-se de Mark Twain e mostrou que a ideia, partilhada nos últimos tempos por antigos jogadores e treinadores da Juventus a propósito do momento menos conseguido da equipa, de que possa ter chegado ao fim é manifestamente exagerada. No final, os campeões italianos derrotaram a Udinese por 3-1 e o avançado português apontou os dois primeiros golos.

E pode mesmo dizer-se que o jogo começou a ser ganho antes do apito inicial, com a escolha de Maurizio Sarri para o onze inicial. Ao contrário do que tinha dito em várias conferências anteriores, o técnico arriscou a fórmula que deu a vitória nos últimos 25 minutos em Leverkusen na passada quarta-feira e apostou em Dybala, Higuaín e Ronaldo em simultâneo, com o trio Betancur, Matuidi e Rabiot a segurar o meio-campo. Com isso, arrasou por completo os visitantes na primeira parte, que terminou com um 3-0 que podia ser ainda mais expressivo.

Logo aos nove minutos, Bonucci explorou bem a profundidade de Dybala nas costas da defesa contrária, o número 10 parou no peito para a entrada da área e Ronaldo, com um remate colocado na passada, inaugurou o marcador. Pouco depois, Juan Musso evitou novo golo do português, que assistiu também Higuaín para outra intervenção apertada que ia mantendo a desvantagem mínima para a Udinese. Se o receio de Sarri era perder a intensidade defensiva sem bola ao atuar com os três avançados em simultâneo, a verdade é que ganha também outra faceta do capitão da Seleção Nacional, bem mais envolvido nas ações ofensivas e a assistir por mais do que uma vez os companheiros para situações de finalização em vez de ser apenas “o” finalizador da equipa.

Já perto do intervalo, os papéis inverteram-se e foi Huguaín que encontrou a entrada de Ronaldo para mais um remate de primeira sem hipóteses para Musso que fez o 2-0 (37′), antes de Bonucci, com um subtil desvio de cabeça que bateu na trave antes de entrar na baliza da Udinese, selar o 3-0 ao intervalo. Em alguns momentos parecia haver uma tendência natural da Juventus em congelar o jogo e controlar com bola mas o tridente ofensivo estava endiabrado e, sempre que saía em transição, conseguia criar perigo no último terço contrário. E, também por isso, Ronaldo conseguiu pela primeira vez marcar em quatro encontros consecutivos entre Serie A e Champions pela Vecchia Signora na sequência dos dois encontros seguidos em que foi substituído por Sarri, sendo que teve ainda num segundo tempo a oportunidade de chegar ao hat-trick, acertando no poste, antes do golo de honra da Udinese apontado por Pussetto já no quarto minuto de descontos.