“Se me conhecesse há quatro anos, dizia ‘Olá, como estás?’ e seguiria. Aprendi a crescer por mim próprio e a estar com as pessoas. É apenas maturidade. Ser uma pessoa introvertida nem sempre é fácil, achas que as pessoas pensam mal de ti ou que querem algo. Mas às vezes é bom ter uma conversa com uma pessoa. Hoje sou mais aberto”, contava Kevin De Bruyne na semana passada, numa entrevista ao The Telegraph onde traçava a antítese de como é fora e dentro de campo – e também da evolução que teve nas duas versões com o tempo.

“Às vezes é tudo uma questão de instinto, às vezes sabes o que as pessoas vão fazer. Aquilo que tento fazer como jogador é perceber como são os meus companheiros e como gostam de receber a bola. Somos todos uma parceria, sabem como são os meus passes típicos e como sou capaz de jogar. Se jogar com o Raheem [Sterling] ou com o Sergio [Agüero] é completamente diferente, um gosta de profundidade, outro prefere diferente. Como um médio, tens é de saber. Alguns jogadores gostam de receber à frente deles. É complicado dizer, tentas ver o jogo, perceber o que se passa ainda antes de se passar. Tentas estar à frente do jogo e nem sempre é fácil porque o jogo é muito rápido mas se conseguir estar à frente um par de vezes, isso ajuda”, completou. E quem diz um par diz dois pares, acrescente-se. Porque foi esse o número de vezes em que apareceu em maior destaque frente ao Arsenal.

Num encontro entre duas das maiores desilusões da temporada na Premier League, Martinelli até teve a primeira oportunidade do jogo logo aos 31 segundos, com Ederson a sair para fazer a “mancha” e a desviar para canto com o avançado sozinho na área. Os gunners marcaram o canto, não deu nada, abriram espaço e, quando deram por ela, já estavam a perder: Fernandinho saiu com bola controlada, lançou Gabriel Jesus na esquerda e o brasileiro cruzou para o remate na passada do belga que inaugurou o marcador para o Manchester City aos 91 segundos.

Sem que houvesse uma tendência na partida, os visitantes estavam na frente e esse fator acabou por ser a chave do jogo grande da jornada no Campeonato que confirmou a época desastrosa do Arsenal (nono lugar com 22 pontos, a sete do último lugar de acesso à Champions) e deu um pequeno fôlego ao City na luta pelo segundo lugar que tem o Leicester a quatro pontos (39-35) numa competição que dificilmente fugirá ao líder Liverpool (49 pontos). Depois, Kevin De Bruyne fez o resto e encheu com o seu saber o campo para decidir tudo até ao intervalo.

Ainda no primeiro quarto de hora do encontro, e com os visitados a concederem demasiadas facilidades a nível de transição defensiva, o belga confirmou o estatuto de jogador com mais assistências na prova com um passe para Raheem Sterling apontar o segundo golo do encontro, antes de fechar 45 minutos de sonho com o terceiro golo do City (40′) e uma bola ao poste na sequência de uma grande jogada de Phil Foden com Leno a tocar ainda no remate com a ponta dos dedos (44′). No segundo tempo, o chip do belga mudou mas mesmo a gerir o resultado conseguiu ficar perto de aumentar a vantagem pelos seus pés ou a assistir Sterling.