A direção geral de saúde australiana decidiu baixar as suas recomendações de consumo de bebidas alcoólicas para uma média de 1,4 bebidas por dia, depois de reverem provas obtidas através de mortes relacionadas com o consumo de álcool.

A recomendação é de que se consumam apenas 10 bebidas alcoólicas padrão por semana, o equivalente a sensivelmente 1,4 por dia, segundo o jornal inglês The Guardian. A bebida alcoólica padrão é um sistema definido nos países anglo-saxónicos para a uniformização das doses servidas em bares e restaurantes e que equivale a cerca de uma porção de 33o mililitros (ml) de cerveja, 200 ml de licor de fraca gradação alcoólica, 150 ml de vinho ou 50 ml de bebidas destiladas.

Ou seja, o governo australiano recomenda que se beba um máximo 462 ml de cerveja, 280 ml de licor de fraca gradação alcoólica,  210 ml de vinho ou 70 ml de bebidas espirituosas por dia.

Esta é a primeira alteração que o governo deste país faz à recomendação do consumo de álcool de 2009, altura em que definiu estes limites em 14 bebidas alcoólicas padrão por semana — duas por dia — e afirma que “beber acima deste nível aumenta o risco [de danos causados pelo álcool ao longo da vida], enquanto beber menos frequentemente ou menos em cada ocasião reduz esse mesmo risco”.

Os novos conselhos do organismo governamental australiano vêm depois de três anos de estudo sobre os benefícios e malefícios do consumo álcool e as ligações a doenças, em que foram também tornadas mais claras as ligações entre o consumo de bebidas e vários tipos de cancro, como o cancro do pâncreas, do fígado, do esófago, da mama, e colorectal, de acordo com a fundação australiana, Alchool and Drug Foundation.

As novas diretrizes acrescentam ainda recomendações que englobam o conselho de interditar o consumo de álcool a menores de 18 anos e a mulheres que planeiam ou estão grávidas. Na mesma linha, as mulheres que estão a amamentar também não devem beber.

Na Austrália, de acordo com dados divulgados pelo governo do país, morreram em 2017 cerca de 40.000 pessoas de problemas ligados ao consumo de álcool e foram registadas perto de 70.000 entradas em hospital no ano fiscal de 2016-2017.