O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considerou esta segunda-feira que a organização militar aliada enfrenta o ambiente securitário mais “complexo” da sua história, no decurso de uma cerimónia no Kuwait.

A sua declaração surge após a cimeira do início de dezembro que celebrou os 70 anos da fundação da Aliança Atlântica e que revelou divergências profundas entre alguns dirigentes dos seus 29 Estados-membros.

Em sete décadas “a NATO nunca se confrontou com um ambiente securitário tão complexo como o atual”, declarou Stoltenberg por ocasião dos 15 anos de Iniciativa de cooperação de Istambul (ICI).

A ICI foi desencadeada pelo NATO em 2004 para encorajar a cooperação securitária com o Médio Oriente. “Para garantir a nossa segurança, devemos ser ágeis e preparados para responder às ameaças que surjam por todo o lado, por terra, mar, espaço e ciberespaço, e de atores estatais e não estatais”, prosseguiu o ex-primeiro-ministro social-democrata norueguês.

Na cimeira dos 70 anos que decorreu nos arredores de Londres, os Estados-membros adotaram uma declaração comum contra as ameaças que consideram mais diretas, onde incluíram Rússia, terrorismo e, pela primeira vez, o desafio estratégico colocado pelo crescente poderio da China. A imagem de unidade foi, no entanto, abalada pelas divisões entre diversos dirigentes, com o Presidente dos EUA, Donald Trump, a definir de “hipócrita” o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, após um vídeo ter mostrado este responsável, entre outros dirigentes, a alegadamente ridicularizar o chefe de Estado norte-americano.

A preparação da cimeira de Londres também foi perturbada pela declaração do Presidente francês, Emmanuel Macron, que considerou a NATO em estado de “morte cerebral”, suscitando observações críticas de diversos aliados.

Stoltenberg optou esta segunda-feira por minimizar estas dissensões, ao indicar que “aquilo que vimos em Londres (…) é a existência de diferenças entre os aliados. Mas comprovámos a unidade face à nossa primeira missão, a da nossa proteção recíproca”.

O chefe da NATO recordou ainda a necessidade de prosseguir o combate contra o terrorismo. “A NATO desempenha uma função chave neste combate, ao trabalhar com os nossos parceiros no mundo inteiro e ao formar as forças locais”.

Neste contexto, declarou que “todos os aliados da NATO, e a própria NATO, fazem parte da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos contra o Daech”, ao recorrer ao acrónimo árabe do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI).