A gestora e historiadora de arte Conceição Amaral foi nomeada para presidente do conselho de administração do Organismo de Produção Artística (Opart), em Lisboa, e começará funções no início de 2020, revelou esta terça-feira à agência Lusa fonte oficial.

De acordo com a mesma fonte do gabinete da ministra da Cultura, Graça Fonseca, a violinista Anne Vitorino d’Almeida e o economista Alexandre Miguel Santos vão manter-se no conselho de administração do Opart, organismo que gere o Teatro Nacional de São Carlos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Companhia Nacional de Bailado.

Conceição Amaral, 53 anos, irá substituir André Caldas, que tinha entrado como presidente do Opart em junho deste ano, com a nova administração, e saiu em outubro, quando foi indigitado para secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros. A nova administração do Opart herdou uma difícil situação com as duas entidades artísticas, que entraram em greve no início de junho, reivindicando uma harmonização salarial, cuja solução estava a ser negociada com André Caldas, aguardada para o início de 2020.

Conceição Amaral estava desde janeiro de 2015 na Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS), onde exercia, desde maio de 2016, o cargo de administradora executiva com os pelouros financeiro, recursos humanos, conservação e restauro, produção e formação e, até maio 2018, comercial e comunicação. De janeiro 2015 a maio 2016, foi presidente do Conselho de Administração da FRESS, numa altura em que esta entidade enfrentou uma grave crise de financiamento, depois de ter perdido o seu principal mecenas, com o afundamento financeiro do Banco Espírito Santo.

Durante mais de um ano, os trabalhadores da FRESS vieram a público denunciar salários em atraso em resultado das dificuldades financeiras da fundação, que gradualmente foi recuperando com diversos apoios, nomeadamente da Câmara Municipal de Lisboa, do Ministério da Cultura e da Santa Casa da Misericórdia, além de encomendas às suas oficinas.

Em acumulação, Conceição Amaral era diretora do Museu de Artes Decorativas Portuguesas e diretora do Instituto de Artes e Ofícios (IAO) da FRESS, atual Fressforma – Centro de Formação Profissional, de acordo com uma nota curricular divulgada pelo ministério. Desde 2015 foi ainda gerente da Manufactum – Fress Portugal, agência de promoção de manufatura da FRESS, e de divulgação das suas atividades no exterior. Desde 2007 foi ainda diretora do Museu de Artes Decorativas Portuguesas.

Em setembro 2019 foi feita membro do Conselho Cultural e coordenadora da Rede Portuguesa da Michelangelo Foundation for Creativity and Craftsmanship, e, desde abril 2019, coordenadora do Grupo Temático de Trabalho das Fundações nas áreas da Arte, Cultura e Património, a convite da direção do Centro Português de Fundações. De janeiro 2014 a janeiro 2017, foi membro do júri dos Prémios da União Europeia para o Património Cultural, Europa Nostra. Entre 2004 e 2015 foi diretora executiva da empresa TerraCulta – Consultoria, Produção e Gestão Cultural.

Entre 2006 e 2007, foi comissária executiva da exposição “Lusa – A Matriz Portuguesa”, realizada no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, um projeto do Centro Cultural Banco do Brasil, em colaboração com o Instituto dos Museus e da Conservação – Ministério da Cultura. Entre 2005 e 2008, foi coordenadora da Rede Portuguesa da Fundação Euromediterrânica Anna Lindh para o Diálogo entre as Culturas, e entre 2003 e 2006, diretora do Museu de Arqueologia de Silves.

Entre 1993 e 2002, foi assessora da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, com funções de coordenação geral, comissariado executivo e gestão das equipas de cerca de 60 exposições realizadas em Portugal e no estrangeiro, em países como Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, França, Brasil, Marrocos, Moçambique, Argélia, Irão, Tunísia, Macau, Cabo Verde. Em 1992 foi responsável pelas visitas guiadas e conservadora do Pavilhão de Portugal na Expo.92, em Sevilha.

É autora de publicações temáticas ligadas ao património cultural em Portugal e conferencista convidada para vários colóquios, seminários e encontros, em Portugal e no estrangeiro.

De acordo com o gabinete da ministra da Cultura, Graça Fonseca “decidiu nomear Conceição Amaral, para completar o mandato em curso (2019-2021)”, no Opart, pela sua “experiência e competência profissionais para o exercício do cargo”. Maria da Conceição Amaral, nasceu em 20 de agosto de 1966, é licenciada em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1990), e tem uma pós-graduação em Gestão Cultural nas Cidades, pelo Instituto Universitário de Lisboa (INDEG/ISCTE, Lisboa, 2002).