Dezenas de pessoas ficaram feridas esta terça-feira em Beirute, capital libanesa, em confrontos entre forças antimotim e apoiantes de movimentos xiitas que atacaram manifestantes antigovernamentais, aumentando o receio de uma escalada no país em crise.

À beira do colapso económico, o Líbano vive desde 17 de outubro uma revolta popular sem precedentes contra a classe dominante, acusada de corrupção e incompetência. Os líderes dos movimentos xiitas Hezbollah e Amal, Hassan Nasrallah e Nabih Berri, chefe do parlamento desde 1992, são visados pelos manifestantes assim como outros líderes neste país de várias religiões.

Desde sábado passado que o movimento de contestação ficou marcado por confrontos entre manifestantes e a polícia e na noite de segunda-feira até ao amanhecer de hoje registaram-se novos confrontos particularmente violentos entre os apoiantes do Hezbollah e Amal e as forças de segurança.

Segundo um fotógrafo no local da agência de notícias France-Presse (AFP), a mais recente violência foi desencadeada por ataques de apoiantes dos movimentos xiitas contra manifestantes no centro de Beirute.

Os jovens, a pé ou de moto, atiraram pedras e engenhos explosivos contra a polícia e incendiaram carros. A polícia respondeu ao ataque usando gás lacrimogéneo. Os confrontos provocaram dezenas de feridos, 23 dos quais foram hospitalizados, segundo a Defesa Civil. Quarenta e três pessoas foram tratadas no local.

Em comunicado, divulgado esta terça-feira, as Forças de Segurança Interna (FSI) indicaram que também 25 membros da polícia de intervenção ficaram feridos e realizaram três detenções. Após um fim de semana de confrontos entre manifestantes e forças de segurança, o coordenador especial da ONU para o Líbano, Jan Kubis, defendeu na segunda-feira um inquérito sobre “o uso excessivo da força” na repressão dos protestos no país.

Kubis sublinhou na rede social Twitter a necessidade de uma “identificação dos instigadores da violência” ao considerar necessário um “inquérito (…) sobre o uso excessivo da força pelas forças de segurança”.

Disparos de gás lacrimogéneo e balas de borracha, lançamento de pedras e confrontos físicos com golpes de bastões e matracas assinalaram a mobilização deste fim de semana, perto da sede do parlamento.