A Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema revelou esta terça-feira a sua programação de filmes para janeiro. O primeiro mês do próximo ano vai ser parcialmente dedicado à comédia, com um ciclo intitulado “Os Reis da Comédia – parte 1”, inserido na iniciativa de “revisitar os grandes géneros” que em 2019 já tinha dado espaço aos filmes do género melodrama.

A comédia é “porventura o género intrinsecamente mais popular de todos, e também aquele que mais cedo se definiu”, aponta o documento de apresentação do programa da Cinemateca Portuguesa para janeiro. “Enquanto muitos outros géneros nasceram e morreram, a comédia sempre existiu, numa infinita variação de subgéneros, correntes, estilos e adaptações locais ou regionais. A nossa ideia é seguir-lhe o rasto através das décadas e da geografia. Para tal, dividimos o Ciclo em três andamentos, a apresentar ao longo do ano”, indica o texto introdutório do documento de programação.

Neste primeiro ciclo que incluirá os filmes a exibir ao longo do mês de janeiro, a Cinemateca Portuguesa propõe seguir “as principais figuras criadoras do género (e criadas pelo género), desde os primórdios aos nossos dias, entre cineastas e atores, entre figuras únicas e avulsas (como, por exemplo, Tati) e variações que se transformaram em subgéneros ou ‘correntes’ e consubstanciaram um entendimento preciso e historicamente definido da comédia cinematográfica (como por exemplo a screwball ou a ‘comédia à italiana’).

Serão assim exibidos em janeiro filmes como “Tempos Modernos” de Charles Chaplin (quinta-feira, 2 de janeiro, às 15h30), o filme humorístico dos Monty Python assinado por Terry Jones “A Vida de Brian” (sexta-feira, 3, às 19h e segunda-feira, 13, às 15h30) e “Playtime ‑ Vida Moderna” de Jacques Tati (sexta-feira, 3, e quarta-feira, 8, respetivamente às 15h30 e 19h).

Também “Pamplinas Maquinista” de Buster Keaton e Clyde Bruckman (sábado, 4, às 15h e terça-feira, 7, às 15h30), “O Grande Escândalo” de Howard Hawks (segunda-feira, 6, às 15h30), “As Sete Ocasiões de Pamplinas” de Buster Keaton (segunda-feira, 13, às 19h, com acompanhamento ao piano de João Paulo Esteves da Silva), “Romeu e Julieta na Neve” de Ernst Lubitsch (terça-feira, 7, às 19h, com acompanhamento ao piano de Filipe Raposo) e “A Canção de Lisboa”, o filme de Cottinelli Telmo com Beatriz Costa, Vasco Santana e António Silva no elenco (sexta-feira, 10, às 18h30), constam desta primeira parte do ciclo.

Outros dos filmes a exibir serão “Jerry no Grande Hotel” de Jerry Lewis (terça-feira, 14, às 15h30 e quarta-feira, 22, às 21h30), “O Grande Ditador” de Charles Chaplin (terça-feira, 14, às 19h e sexta-feira, 17, às 15h30), “Bananas” de Woody Allen (sexta-feira, 24, às 21h30 e segunda-feira, 27, às 21h30) e “Um Peixe fora de Água” o filme de Wes Anderson com Bill Murray, Owen Wilson e Cate Blanchett no elenco (segunda-feira, 27, às 18h30 e quarta-feira, 29, às 15h30).

Além da primeira parte do ciclo de comédia, a Cinemateca Portugua concluirá ainda a retrospetiva “As Variações de Hong Sang-Soo” com mais filmes do realizador sul-coreano (como “Noutro País”, com Isabelle Huppert no eleneco e a exibir a 2 e 21 de janeiro, sempre às 19h) e projetará filmes como “Domingo à Tarde” de António de Macedo (terça-feira, 21, às 18h30). Haverá ainda a ante-estreia de curtas-metragens de Bruno de Freitas Leal, Jacinto Lucas Pires, Duarte Coimbra e Jorge Cramez, na terça-feira, 28, a partir das 21h30. Pode consultar toda a programação do próximo mês aqui.

Nas partes seguintes do ciclo “reis da comédia”, a Cinemateca informa já que revisitará — na segunda — “os caminhos mais excêntricos da comédia”, quer “geograficamente, olhando para as cinematografias fora do eixo euro-americano que ainda forma a base do ‘cânone'” quer “estilisticamente, olhando para autores que, sem serem cineastas de ‘género’, importaram para os seus estilos e universos pessoas, elementos e procedimentos derivados da comédia’ e — na terceira parte — “um elemento crucial do código cómico: o riso”, olhando para os momentos em que “a lógica é invertida” e “é no ecrã que o riso tem lugar, talvez para descobrir que, na maior parte dos casos, o riso feito espetáculo não dá vontade de rir e das duas uma, ou se ri o espectador ou se o ri o ecrã”.