Um português morreu esta terça-feira após ter sido baleado pela polícia, em Genebra, confirmou ao Observador o Ministério Público suíço. Dionísio Cunha, natural de Viana do Castelo, foi atingido a tiro, na sua casa, na segunda-feira, depois de a polícia ter recebido uma denúncia de violência doméstica.

O incidente aconteceu pelas 8h30 (9h30 em Lisboa), quando a polícia foi chamada ao local, no bairro de Acacias, pelos vizinhos, que ligaram para o 112. Ao entrarem na casa do português, os dois agentes encontraram o homem armado com um revólver. “Um agente disparou a sua arma de serviço”, informou o Ministério Público (MP) de Genebra num comunicado emitido na segunda-feira, adiantando que a mulher tinha um ferimento causado por uma arma de fogo.

“No apartamento, a polícia encontrou uma mulher ferida por uma bala”, lê-se no comunicado do MP. Segundo a imprensa local, Dionísio Cunha terá disparado contra a companheira no antebraço.

Ao que o Observador apurou, o MP de Genebra abriu dois inquéritos criminais:

  • o primeiro está a investigar as circunstâncias da morte de Dionísio Cunha, nomeadamente o uso da arma de serviço por parte do polícia que atingiu o imigrante português. O agente de serviço pode vir a ser investigação por homicídio involuntário.
  • a segunda investigação está relacionada apenas com as suspeitas de violência doméstica, sendo o testemunho da mulher de Dionísio Cunha encarado como fulcral.

Vizinha fala em “ferida na testa”

A morte do português começou por ser noticiada pelos jornais suíços. Apesar de os familiares de Dionísio terem garantido ao Correio da Manhã que o homem tinha morrido, até ao início da tarde desta terça-feira, o Ministério Público negou sempre que isso tivesse acontecido, referindo apenas o seu prognóstico como “fortemente reservado.”

Uma vizinha relatou que viu o homem a ser levado de casa com “uma ferida na testa”: “Fiquei em choque e a polícia disse para eu ficar dentro da minha casa”, afirmou. Segundo a mulher, o vizinho, gravemente ferido, foi retirado através das escadas de incêndio do prédio a que tiveram acesso através do apartamento dela. Segundo o relato de um empregado de uma loja vizinha, referido pelo 20 minutes, um dos agentes da polícia saiu em choque do prédio, rodeado pelos colegas. O Tribune de Genève acrescentou que foi disponibilizada ajuda psicológica para as forças de ordem envolvidas.

Agora, segundo o Tribune de Genéve, as autoridades comunicaram que o português morreu na sequência dos ferimentos sofridos.

O Observador contactou o consulado português em Genebra mas ainda não obteve qualquer resposta. Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, igualmente questionado sobre o assunto, confirmou que “o cidadão envolvido no incidente é português” e que o Estado “está a acompanhar o caso através do Consulado em Genebra.”