O primeiro fórum global sobre refugiados, promovido pela ONU, começa esta terça-feira em Genebra (Suíça) com o propósito de gerar novas abordagens e compromissos a longo prazo para ajudar os milhões de refugiados existentes no mundo e os países anfitriões.

O Global Refugee Forum é promovido pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) e assinala, segundo a organização, o fim de uma “década tumultuosa” que ficará marcada por um número recorde: mais de 25 milhões de pessoas no mundo são refugiadas.

Com a co-organização da Suíça e a cooperação de cinco países (Costa Rica, Etiópia, Alemanha, Paquistão e Turquia), este primeiro fórum global, que contará com a presença de governantes, líderes da ONU, instituições internacionais, organizações não-governamentais (ONG), empresas e representantes da sociedade civil, teve na segunda-feira uma sessão preparatória, estando previstas para hoje e para quarta-feira as sessões de alto nível.

Portugal está representado pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e pela secretária de Estado para a Integração e as Migrações, Cláudia Pereira.

Na véspera de marcar presença em Genebra, Eduardo Cabrita avançou, em declarações à Lusa, que a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2020 vai contemplar, pela primeira vez, verbas para as ONG que acolhem refugiados em Portugal.

A par de uma intervenção, esta quinta-feira à tarde, na sessão plenária do fórum global, Eduardo Cabrita terá uma reunião bilateral com o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), António Vitorino.

O Global Refugee Forum acontece precisamente um ano depois da adoção em Nova Iorque pela Assembleia Geral das Nações Unidas do Pacto Global sobre Refugiados.

A 17 de dezembro do ano passado, 181 países votaram a favor deste pacto inédito que assumia um grande objetivo: promover uma resposta mais robusta e sistemática para melhorar a vida dos refugiados e as condições dos países anfitriões.

Um ano depois, o Global Refugee Forum surge, de acordo com o ACNUR, como uma oportunidade “para converter o princípio da partilha internacional de responsabilidades, que está na génese do Pacto Global, em ações concretas” e “para fortalecer a resposta coletiva à crise dos refugiados”.

Nunca houve tantos refugiados no mundo desde que a ONU começou a registar este tipo de dados.

Já em 2014, a ONU admitia que o mundo estava a testemunhar a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial.

No final de 2018, a população global de pessoas forçadas no mundo a abandonar as suas casas devido a guerras, conflitos, violência, perseguições, violação dos direitos humanos ou desastres naturais ultrapassou os 70 milhões.

O ACNUR refere que, em 2018, a população global de deslocados à força aumentou em 2,3 milhões de pessoas, o que significa que, no ano passado, cerca de 37 mil pessoas por dia ou 25 pessoas por minuto tiveram de abandonar os respetivos lares.

Entre a população global de deslocados, cerca de 25,9 milhões de pessoas são identificadas como refugiados (procuraram proteção em outro país) e 3,5 milhões são requerentes de asilo.

A grande maioria dos refugiados assinalados no mundo, 20,4 milhões, estão sob os cuidados do ACNUR, com a organização a salientar que este número representa quase o dobro face a 2012.

Já as restantes 5,5 milhões são acompanhadas pela agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA).