Rakitic de um lado, Isco do outro, Lionel Messi em todos os lugares e mais alguns. El Clássico pode ser um jogo de gigantes, para gigantes e com gigantes mas as equipas iniciais de Barcelona e Real Madrid apresentavam sobretudo surpresas de pouco mais de palmo e meio com talento dos pés à cabeça para desequilibrar um encontro que valia a liderança isolada da Liga. No entanto, este jogo nem sempre é para os virtuosos e aqueles que são mais discretos numa equipa também podem ser a chave de um resultado final. Sim, esta é noite em que todos esperavam a Ascensão de um Skywalker na Guerra das Estrelas; ao invés, quem se destacou foi o Homem de Ferro.

Aos 27 anos, aquele que já foi um jogador descartável e que vestiu a pele de patinho feio entre os adeptos do Real Madrid tornou-se mais do que um indiscutível – é a chave de Zidane para agarrar a equipa. Sergio Ramos continua a ser o esteio da defesa, Benzema sente-se cada vez mais um avançado completo mas é Casemiro que passou pelo FC Porto a juntar todos os setores, sendo o elemento com mais minutos na presente temporada. E o brasileiro de 27 anos também justifica toda essa atenção: além de ser um dos primeiros a chegar para trabalho de ginásio antes do treino, tem depois uma espécie de academia em casa onde passa horas a fio a ver jogos de futebol quase de uma forma obsessiva, segue uma dieta rigorosa e faz a sesta numa cama hiperbárica, segundo o El País.

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Se o Barcelona jogou muito menos do que é habitual foi porque Casemiro conseguiu ocupar da melhor forma os espaços nas primeiras zonas de construção quando as unidades mais ofensivas pressionavam alto. Se Messi jogou muito menos do que é habitual foi porque Casemiro conseguiu sempre fechar da melhor forma as entre linhas onde o argentino se sente como peixe na água. Mas, hoje, o brasileiro é muito mais do que uma unidade de destruição. Constrói, dá a construir e arrisca até fazer parte dos arranjos finais em termos ofensivos. A explorar quando podia a meia distância, a lançar ataques rápidos com toques de calcanhar, a iniciar jogadas de perigo que chegaram mesmo a dar golo (tudo aconteceu, com especial enfoque na segunda parte). El Clássico foi de Casemiro.

No final, o nulo que nem as apostas em Modric, Vidal, Rodrygo e Ansu Fati conseguiram desfazer acabou por ajustar-se ao que se passou em campo num encontro sempre intenso, com uns momentos de tensão de quando em vez mas que esteve longe em termos ofensivos de outros jogos grandes recentes entre Barcelona e Real Madrid, que se mantêm lado a lado na liderança mas deram outro fôlego ao Atl. Madrid, que poderá ficar a sete pontos dos dois candidatos ao título num jogo onde os catalães voltaram a não marcar em casa para a Liga dois anos depois e onde Zinedine Zidane, que ganhou a Ernesto Valverde na guerra tática, manteve o registo sem derrotas em Camp Nou.