O governo interino da Bolívia emitiu esta quinta-feira um mandado de detenção contra o ex-presidente Evo Morales por “sedição, terrorismo e financiamento de atividade terrorista”.

Morales, que em novembro abdicou do seu mandato presidencial após ser pressionado a demitir-se pelas Forças Armadas do país — na sequência de suspeitas de fraude eleitoral nas eleições que o elegeram em 20 de outubro —, encontra-se refugiado na Argentina.

O ministro do Interior do governo interino da Bolívia, Arturo Murillo, divulgou através do Twitter uma fotografia do mandado, onde se leem os crimes de que Murillo é suspeito.

Presidente da Bolívia entre 2006 e 2019, Evo Morales foi acusado pela oposição e pelos observadores internacionais de fraude eleitoral nas eleições de 20 de outubro, em que foi reeleito.

A 10 de novembro, praticamente todos os seus ministros apresentaram a demissão e Evo Morales acabou por também resignar ao cargo, pressionado pelos militares do país.

Evo Morales. De herói do povo boliviano a Presidente contestado

Na altura, Evo Morales anunciou que a luta não terminava ali. “Os humildes, os pobres, os setores sociais, patriotas, vamos continuar com esta luta pela igualdade e pela paz. E, neste momento, é importante dizer ao povo boliviano que é minha obrigação, como Presidente de todos os bolivianos, procurar esta pacificação”, afirmou Morales no momento em que anunciou que se demitia.

Desde então, Morales tem intervindo no espaço público a partir de outros países da América Latina onde encontrou asilo político, como o México e a Argentina.