Na antevisão das meias-finais do Mundial de Clubes, especialistas, comentadores e adeptos no geral apressaram-se a vaticinar o emparelhamento da final: o encontro entre Flamengo e Liverpool, numa reedição da final de 1981, parecia certo e inevitável. Al-Hilal e Monterrey, sauditas e mexicanos que cruzaram com um e outro nas meias-finais, estavam aparentemente condenados a ser eliminados. O desenrolar dos dois jogos, porém, motivou uma mudança nas probabilidades das apostas.

Se o Al-Hilal esteve a ganhar ao Flamengo e só foi eliminado por uma reviravolta dos brasileiros que fez lembrar a da final da Libertadores, a verdade é que o Monterrey levou uma igualdade com o Liverpool até ao último minuto, altura em que Roberto Firmino apareceu a fazer o golo da vitória. Ainda que ambos tenham sido eliminados dentro dos 90 minutos, tanto Al-Hilal como Monterrey mostraram que não podiam ter sido automaticamente excluídos do futuro do Mundial de Clubes: até porque a existência de uma surpresa, tanto num como noutro jogo, esteve perto de aparecer.

Este sábado, três horas antes de Flamengo e Liverpool se encontrarem na final do Mundial de Clubes, sauditas e mexicanos disputavam então o terceiro e o quarto lugares da competição — num jogo sempre ingrato que coroa, de certa forma, os primeiros dos últimos. Gomis, que marcou o golo que valeu a vitória do Al-Hilal nos quartos de final e o dedicou a Jorge Jesus, voltava a começar no banco depois de ter sido titular na meia-final; do outro lado, além do ex-FC Porto Miguel Layún, começava de início Urretaviscaya, o jogador que passou pelo Benfica sem grande sucesso.

Se as duas equipas deixaram visível nas respetivas meias-finais que tinham bem mais para mostrar do que aquilo que seria inicialmente expectável, a verdade é que um jogo para decidir quem fica em terceiro ou em quarto lugar de uma competição acaba por esvaziar o nível competitivo e a ambição dos conjuntos. Se contra Flamengo e Liverpool tanto o Al-Hilal como o Monterrey exibiram um fluxo ofensivo interessante, bem ligado com o meio-campo e guiado por jogadores acima da média, este sábado as duas equipas estavam presas e a protagonizar um jogo quase sem balizas.

Arturo González acabou por protagonizar a melhor oportunidade do Monterrey na primeira parte mas só marcou na segunda

Jogada a um ritmo lento, com poucas oportunidades e raros lances de perigo, a primeira parte acabou por arrastar-se até ao intervalo e só foi interrompida pelo golo do Al-Hilal, que apareceu através da única ocasião em que um dos corredores sauditas conseguiu desequilibrar a defesa do Monterrey. O lateral Al-Shahrani soube ganhar o jogo interior, apoiado por Cuéllar, e tirou um cruzamento perfeito para a grande área, onde o ex-FC Porto Carlos Eduardo cabeceou entre os centrais (35′).

Já na segunda parte, o Monterrey acabou por conseguir empatar aproveitando uma das várias desatenções defensivas que o Al-Hilal teve durante o encontro. Depois de um lance que começou na direita, o ataque mexicano insistiu e Arturo González surgiu totalmente sozinho, na zona da marca de penálti, a cabecear (55′). Com o jogo relançado no que ao resultado dizia respeito, o treinador dos sauditas lançou Gomis para tentar obter o impacto imediato dos quartos de final mas foi surpreendido com a reviravolta do Monterrey: novamente a partir da esquerda, num lance de contra-ataque, Zaldívar cruzou rasteiro e serviu Meza, que deu a volta ao resultado de forma tranquila (60′).

Carlos Eduardo, antigo jogador do FC Porto e do Estoril, marcou o golo do Al-Hilal

Beneficiando de um certo desacelerar do Monterrey mas também da eficácia de Gomis, que contrastou com a apatia do titular Khribin, o Al-Hilal repôs rapidamente a igualdade com um cabeceamento do francês (66′). O resultado não voltou a alterar-se até ao apito final, mesmo depois de Arturo González ficar perto de bisar de calcanhar e de Gomis acertar no poste no último minuto, e o vencedor acabou por ser decidido nas grandes penalidades. Carlos Eduardo falhou para o Al-Hilal, Vásquez falhou para o Monterrey mas Kanno acabou por permitir a segunda defesa do guarda-redes Cárdenas, que apontou a grande penalidade decisiva para os mexicanos (4-3). O Monterrey ficou assim no terceiro lugar do Mundial de Clubes, enquanto que o Al-Hilal, que chegou a estar a ganhar ao Flamengo na meia-final, não conseguiu mais do que a quarta posição.