Nos EUA, há hoje em circulação 57 milhões de veículos que têm defeitos, entre mais e menos graves, cujos condutores não tiveram conhecimento do recall. E se este valor correspondente ao mercado norte-americano impressiona, então o que dizer do equivalente no mercado europeu, onde na realidade não é fácil sequer calcular o número de veículos que circulam com problemas, nem fazer ideia dos problemas de que enfermam.

A Aurora Labs é uma empresa israelita, hoje com representação em Tel Aviv, mas igualmente em Munique, Detroit, São Francisco e Hong Kong. Especialista em programação, a Aurora recorreu a inteligência artificial para desenvolver um software capaz de analisar todas as linhas de programação, identificar onde está o erro e repará-lo.

Um dos fundadores da empresa, Zohar Fox, salienta que um automóvel moderno – mesmo se semiautónomo – possui mais de 100 milhões de linhas de programação. Para se ter uma ideia, 100 milhões de linhas é cerca de sete vezes mais do que é utilizado num avião de combate como o Lockheed Martin F-35, o mais sofisticado da força aérea americana. E numa altura em que cada vez há mais necessidade de sistemas e funções, destinados a ajudar o condutor ou a entreter os passageiros, estes 100 milhões de linhas vão rapidamente duplicar e triplicar.

Com o software proposto pela Aurora Labs, os automóveis vão poder reparar-se a si próprios, evitando que continuem a circular com erros de programação que levem, por exemplo, os airbags a não funcionar ou ABS, ou então soluções mais simples – e menos perigosas –, como o sistema de navegação ou o live streaming. Os construtores vão poupar ao não necessitarem de acolher os seus carros nas oficinas, mas os condutores vão usufruir ainda mais, por não incorrerem em riscos excessivos – o que aconteceria se continuassem a circular com carros defeituosos, mesmo sem saber.

Para que tudo funcione, a solução da Aurora só é viável em veículos conectados, pois o sistema da companhia israelita requer acesso constante à Internet. Em termos práticos, Zohar Fox avança que os primeiros veículos equipados com este novo software começarão a ser comercializados a partir de 2021, uma vez que os israelitas anunciaram já ter clientes com contrato.