Vinte oito finais, 15 golos num total de metade desses encontros decisivos (14), 21 triunfos com um total de 75% de sucesso. Quando Cristiano Ronaldo admitiu numa entrevista recente que se fosse por ele jogava apenas encontros decisivos e fases finais de clubes e seleções – acrescentando depois que também sabe o dever de respeitar sempre a equipa que representa, dando assim 100% em qualquer compromisso nem que seja um particular –, sabia bem do que falava e o português é exemplo paradigmático do chavão “as finais não se jogam, ganham-se”. No entanto, nem sempre esse lógica é infalível, como se viu na final da Supertaça com a Lazio na Arábia Saudita.

Entre os maiores desportistas de sempre, como recordava este domingo o Tuttosport, há quem tenha valores ainda mais elevados de eficácia nas decisões. Usain Bolt, o velocista jamaicano que inaugurou este fim de semana aquele que será o grande palco dos Jogos Olímpicos com uns quilos a mais à mistura, esteve em 29 finais e conseguiu ser melhor em 24 delas (sendo que aquelas que perdeu foi sobretudo na parte final da carreira). Já Roger Federer, um dos melhores tenistas de todos os tempos, é o segundo jogador com mais finais ganhas da modalidade com uma eficácia de sucesso de 65% em 157 finais disputadas. E há também o mítico Muhammad Ali, muito mais do que um simples pugilista que ganhou 29 das 32 decisões para título. Depois, há Michael Jordan.

O antigo jogador dos Chicago Bulls esteve em seis finais da NBA e ganhou todas elas em dois períodos distintos da década de 90, além de mais cinco decisões por seleções dos Estados Unidos onde venceu sempre. Não há muitos como ele. Ou melhor, há poucos ou menos nenhum. E não deixou de ser curioso haver esse dado numa semana onde o próprio avançado português se comparou ao ex-número 23 com a frase “CR7 Air Jordan!” para descrever o golo que deu a vitória à Juventus em Génova frente à Sampdória em jogo antecipado da Serie A.

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Do “CR7 Air Jordan” ao “Bem-vindo ao espaço aéreo”: Ronaldo saltou 71 centímetros e não passou ao lado de ninguém

Depois de uma fase menos conseguida nesta segunda temporada em Itália, que coincidiu com os dois encontros consecutivos em que foi substituído (num deles, com o AC Milan, terá mesmo abandonado o estádio antes do apito final) e com as semanas em que andava a jogar limitado com um problema no joelho, o capitão da Seleção Nacional voltou aos bons velhos tempos e conseguiu mesmo o melhor período desde que chegou à Juventus, com cinco jogos seguidos a marcar um total de seis golos, o último dos quais a correr mundo por ter saltado 71 centímetros a uma altura de 2,56 metros para cabecear para o golo do triunfo da Vecchia Signora. No entanto, e como se viu no jogo da Serie A, a Lazio era tudo menos um adversário apetecível nesta altura em Riade.

Ronaldo somou, a Lazio dividiu e houve uma subtração ao Cuadrado: Juventus sofre primeira derrota na Série A

Aproveitando uma entrada amorfa da Juventus, o conjunto de Roma teve uma primeira ameaça por Luís Alberto com um remate que passou a rasar a trave da baliza de Szczesny (8′) antes do mesmo médio ofensivo espanhol, um dos grandes destaques da Lazio neste bom arranque de temporada, inaugurar o marcador pouco depois do quarto de hora inicial na sequência de uma jogada confusa em que a defesa bianconeri andou aos papéis até ao remate final do número 10 (17′). Ronaldo, com um bom trabalho à entrada da área para remate ao lado (21′), e Dybala, num livre direto que passou a rasar o poste (30′), deram os primeiros sinais de reação antes de Szczesny evitar o golo de Correa após mais um erro da defesa da Juve na recuperação defensiva (34′).

Tudo apontava para uma vantagem da Lazio ao intervalo quando Ronaldo apareceu a dar razão ao técnico Simone Inzaghi, quando descreveu o português como “um campeão que pode mudar o rumo do jogo a qualquer momento”: numa jogada onde os defesas contrários pararam à entrada da área para tentarem condicionar a sua finta, o português encontrou espaço para rematar, Strakosha ainda defendeu para a frente e Dybala, na recarga, empurrou para o empate em cima do minuto 45, reabrindo o encontro para a segunda parte.

No entanto, e quando se pensava que a Juventus conseguiria passar para cima aproveitando até o golo antes do descanso, foi a Lazio que voltou a apresentar-se da melhor forma em coletivos e individuais, repetindo o 3-1 da Serie A há duas semanas com golos de Lulic (75′) e Cataldi (90+4′) que deram a quinta Supertaça aos romanos, naquela que foi a oitava final perdida por Cristiano Ronaldo em 29 disputadas nos últimos 15 anos.