Os vereadores do PS na Câmara do Porto consideram que o valor das compensações para os comerciantes afetados pelas obras no Bolhão, cerca de 360 mil euros, devia ter sido apresentado à Associação dos Comerciantes do Porto, antes de ser discutido no executivo.

“Percebo as razões jurídicas porque não pode haver negociação, mas entendemos que devia ter havido um diálogo mais profundo e devia preceder-se à apresentação desta proposta na reunião do executivo. Não vejo que esse diálogo configure uma negociação”, afirmou o vereador Manuel Pizarro na reunião do executivo municipal desta segunda-feira.

Antes o presidente da autarquia, Rui Moreira, tinha já explicado que, por lei, não pode haver negociação das compensações devidas aos comerciantes afetados pelas obras no Bolhão, acrescentando, contudo, que os comerciantes podem sempre “litigar contra a câmara”.

Em resposta a Pizarro, o autarca reconheceu que o município podia ter entregado o estudo apresentado esta segunda-feira à Associação dos Comerciantes, contudo, assinalou, neste caso a associação não é intermediária nem beneficiária neste processo. “É um pouco preso por se ter cão e por não ter”, disse, sublinhando que o mais importante é ter aqui “uma guideline” para situações idênticas que ocorram no futuro, como a nova linha de metro, por exemplo.

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A proposta de compensação aos comerciantes da rua Alexandre Braga e da rua Formosa foi aprovada com a abstenção do PSD e do PS, tendo o presidente da autarquia, afirmado que o município fez, neste caso, “um trabalho inovador”, antecipando um processo, que no passado, demorava anos e anos, e que, quando terminava, muitas vezes, os comerciantes já não estavam cá.

Na reunião, o autarca acrescentou que houve sempre contactos com os comerciantes, quer antes do início das obras quer depois de estas terem começado, salientando que a obra do túnel está a correr dentro do previsto.

“Poderão os comerciantes dizer que esta compensação não é suficiente, mas é bom termos a noção de que as cidades se fazem de obras e nós vamos ter muito proximamente uma obra muito mais impactante do que todas estas, que é a do Metro do Porto. A obra do Metro do Porto vai demorar três anos a ser feita. Entre a Casa da Música e a Estação de São Bento vai haver várias frentes de obra que vão inibir completamente a passagens de carros e pessoas. Portanto é preciso que as pessoas tenham a consciência”, defendeu, frisando que a cidade do Porto não é a “SimCity”.

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Também o vereador da CDU, Vítor Vieira, considera que atitude da câmara nesta matéria foi “proativa”, salientando que esta abordagem inicial não fecha a porta à discussão de outros valores. Já Ricardo Valente, vereador com o pelouro da Economia, Turismo e Comércio, afirma que “de 24 estabelecimentos na Rua de Alexandre Braga, só nove comerciantes pediram compensação, de 23 lojas de porta aberta na Rua Formosa [no troço compreendido entre a Rua de Sá da Bandeira e a Rua de Santa Catarina], apenas 15 apresentaram elementos”, concluindo que “os outros não viram interesse nesta compensação”.