Vai ser apresentada no Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, a Nawa Racer. Trata-se de uma moto eléctrica de origem francesa, produzida pelo fabricante de baterias Nawa Technologies. Mas esta questão geográfica está longe de ser a única característica menos convencional da Racer. O que mais impressiona é o facto de esta moto acumular energia não apenas numa bateria de iões de lítio, mas através de uma solução híbrida que associa um acumulador convencional a um ultracondensador. O resultado é uma autonomia de 300 km, algo nunca visto num veículo de duas rodas.

A revelação ao mundo vai ter lugar entre 7 e 10 de Janeiro, em Las Vegas, e não vão faltar os curiosos em relação à solução tecnológica preconizada pela Nawa. Para já, sabe-se apenas que em vez de alimentar o motor eléctrico através da energia acumulada numa bateria de iões de lítio, a moto – que parece uma Cafe Racer dos anos 60 – alia uma bateria deste tipo a um ultracondensador. Se a primeira tem uma capacidade de 9 kWh, o segundo tem 0,1 kWh e, em conjunto, conseguem garantir uma autonomia de 300 km em cidade.

Este “milagre” tecnológico aponta para um consumo médio de somente 3 kWh/100 km, o que equivale a três vezes menos do que o conseguido por algumas das motos eléctricas do mercado e quatro vezes menos do que o veículo eléctrico mais económico. O truque está necessariamente no ultracondensador, que a Nawa alega ser capaz de fornecer 10 vezes mais potência e cinco vezes mais energia do que os restantes ultracondensadores existentes no mercado.

Ao que tudo indica, a Nawa possui um sistema que descreve como “revolucionário” e que permite recuperar 80% da energia habitualmente perdida durante a travagem, com o ultracondensador a lidar com os picos de potência, tanto durante a carga em DC como durante a regeneração de energia. A Nawa Technologies aproveita para informar que todo o sistema é escalável, o que significa que tem uma capacidade conjunta de apenas cerca de 9 kWh na Racer, mas pode facilmente evoluir para 50 ou 100 kWh, tipicamente o necessário para um automóvel, mesmo de topo de gama.

Além da autonomia, que deverá ser alcançada sobretudo graças a uma maior capacidade de regeneração, a Nawa garante ainda que a bateria e ultracondensador terão uma longevidade de 1 milhão de quilómetros, tornando tudo muito mais interessante sob o ponto de vista ambiental e de custos. Resta saber quão madura está esta tecnologia, se é um projecto ainda em desenvolvimento ou se está pronto a passar à produção em série.

De recordar que, com a compra da Maxwell Technologies, um dos maiores fabricantes de ultracondensadores do mercado, a Tesla está a trabalhar numa bateria híbrida deste tipo.