História

“Já fui ao Brasil
Praia e Bissau
Angola Moçambique
Goa e Macau
Ai, fui até Timor
Já fui conquistador”

O refrão orelhudo da música “Conquistador”, dos Da Vinci, bem que podia fazer parte da playlist deste restaurante. O Mescla  abriu portas em outubro e é o resultado das viagens portuguesas pelo mundo, “do que levamos e do que trouxemos”. Dos ingredientes à decoração, a intenção sempre foi misturar, um conceito assinado do Discover Porto, o grupo hoteleiro criado em 2013 com projetos na cidade como a antiga discoteca Twins ou o Café do Cais.

“A ideia inicial era que o restaurante se chamasse nau e o seu interior fosse um barco, mas como o projeto derrapou foi melhorado ao longo do tempo, Não queríamos criar um espaço de entretenimento, mas de degustação”, explica Margarida Santos Teixeira, uma das responsáveis, em entrevista ao Observador.

A morada deste restaurante — o bar tem vista para o Douro e fica na Ribeira, uma das zonas mais turísticas do Porto, onde a oferta gastronómica se resume “à francesinha, ao polvo e ao bacalhau”. O Mescla quer contrariar isso. “Queremos que os portugueses venham ao nosso restaurante e não apenas turistas. Tem acontecido, por isso, conseguimos esse objetivo”, sublinha Margarida Santos Teixeira.

Espaço

Há quatro anos o grupo comprou o prédio onde funcionava a Taberna do Infante, uma casa de strip stease com direito a quartos num andar superior, varões, muito preto e algum veludo. Durante o período de obras, descobriu-se parte de uma muralha onde hoje é a cozinha e as escavações arqueológicas atrasaram o processo de reabilitação.

O restaurante está agora dividido em três espaços, na entrada reinam as mesas altas, os presuntos pendurados e o balcão com bebidas para refeições mais leves e descontraídas, no interior há uma sala com vista para a cozinha e uma outra, no andar superior, mais sossegada junto às janelas.

6 fotos

Em todas elas impera uma decoração tribal e quase selvagem, onde a madeira, os verdes e os padrões geométricos e coloridos das almofadas dão nas vistas. Há bancos corridos e sofás, máscaras africanas nas paredes, gaiolas e cabides suspensos para pendurar os casacos. “Quisemos construir um espaço confortável e versátil, onde facilmente se podem deslocar mesas e acrescentar lugares. Todos estes objetos foram comprados em lojas do Porto, têm muitas nacionalidades, mas foram adquiridos cá”, refere a responsável.

Comida

O intercâmbio entre culturas, tradições e paladares reflete-se na carta do Mescla, assinada pelo chef Diogo Gomes e que se desdobra como um autêntico mapa. As opções estão disponíveis o dia todo e dividem-se entre pratos sem talhares, uma espécie de entradas para partilhar, como as ostras na brasa, manteiga fumada e salvia (15€), a bifana com pão de queijo e cachaço de bísaro (6€)  ou os churros de bacalhau (8€).

Há pratos mais leves, como a cavala no carvão em tosta de azeite (7€) e tâmaras, o muxama de atum, azeitonas e folhas da época (9€) ou os ovos, mandioca e presunto (7€) e outros mais sustentados, como a moqueca de raia seca e gamba com arroz basmati (18€), o caril de frango com chapati caseiro (14€), o bife da Alcatra (18€) ou a tajine de grão, abóboras e tomate com couscus de limão (9,50€).

“Tentamos trabalhar com ingredientes de origem portuguesa e sazonais, daí termos necessidade de rodar alguns pratos com alguma frequência”, conta o chef ao Observador, adiantando que virá a caminho uma salada de pera, um creme de castanhas com cogumelos e uma corvina no carvão com legumes.

Para os mais gulosos, o destaque vai para o parfait de chocolate com recheio de frutos vermelhos e uma semiesfera com limão e pimenta timut, mais cítrica (6€), os brigadeiros de caipirinha, espuma de lima e hortelã (4,50€) ou o bolo de batata doce assada com merengue de feijão vermelho (4,50€).

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No bar de cocktails há opções para todos os gostos, seja para harmonizar a refeição ou como um aperitivo. O Nau leva tequila, curcuma, vinagrete de coentros e Porto Branco (10€), o Guida tem gin, limão e calêndula (8€) e o Témito apresenta-se com bacardi, chá preto de pêssego e hortelã (8€).

Se preferir fazer a sua própria bebida, peça um mocktail e personalize-a consoante o seu perfil (doce, amargo ou cítrico), a sua acidez (limão, toranja ou hibísco) e o seu sabor preferido (ananás, laranja ou maracujá). Saiba que os iced teas são criados de raiz dentro de portas e as sangrias não levam vinho. “A sangria amazónia tem uma base de cachaça e a do oriente tem saqué”, explica o bar manager Pedro Duarte.

Os sabores fáceis de identificar na nossa gastronomia estão presentes nos cocktails do Mescla (Foto: Tiago Lessa)

E se lhe dissermos que a fazer cocktails também se pode ser sustentável? Pedro Duarte revela que um dos ingredientes mais usados no bar é a clara de ovo para dar textura, mas no Mescla é substituída por água da cozedura de leguminosas, principalmente o grão de bico, muitas vezes deitada fora. “Ela mantém as mesmas características químicas da clara de ovo, dá cremosidade, textura e preserva a temperatura. Além disso não tem qualquer cheiro nem sabor.”

O que interessa saber

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Nome: Mescla
Abriu em: Outubro de 2019
Onde fica: Rua da Alfândega, 15, Porto
O que é: Um restaurante que privilegia a cozinha do mundo com um toque português, tendo influências portuguesas, indianas, moçambicanas e brasileiras
Quem manda: Chef Diogo Gomes
Quanto custa: A partir de 3,50€, creme de cenoura, especiarias e amêndoas tostadas
Uma dica: Acompanhe a refeição com um dos cocktails da casa e experimente fazer a sua própria bebida consoante o seu perfil aromático
Contacto: 22 099 0671
Horário: De quinta a terça, das 12h30 às 00h
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