José Maria Ricciardi não deixa José Sócrates sem resposta e mantém o conteúdo dos seus depoimentos no caso EDP e na Operação Marquês onde atestou uma relação de proximidade entre o ex-primeiro-ministro e o seu primo Ricardo Salgado.

“Em relação aos comentários do eng. Sócrates, digo apenas o seguinte: o país inteiro já compreendeu há muito tempo que o eng. Sócrates e os seus aliados não lidam bem com a verdade.”, afirma numa declaração escrita.

Mais: Ricciardi disponibiliza-se mesmo para prestar depoimento em eventuais e futuros julgamentos do caso EDP e da Operação Marquês. “Pela minha parte, recuso-me a fazer comentários extrajudiciais sobre o depoimento que fiz como testemunha e sob juramento nos processos EDP e Marquês. Só posso adiantar que, se for chamado a julgamento nestes dois processos, confirmarei sob juramento tudo o que consta nos meus depoimentos”, conclui.

Recorde-se que José Sócrates classificou ao Observador as declarações de José Maria Ricciardi nos autos do caso EDP como “uma fraude”.”Desminto vigorosamente que alguma vez tenha sugerido ou incentivado seja quem for a investir na empresa EDP. Essas declarações do dr. Ricciardi, como outras feitas ao longo dos últimos anos, são uma fraude”, afirmu o ex-primeiro-ministro numa resposta escrita enviada ao Observador.

Sócrates diz ainda que “começa a ser particularmente obsceno a troca de favores entre o Ministério Público e o dr. Ricciardi”, já que um diz o que o outro quer ouvir, enquanto o segundo espera que do outro lado haja proteção em processos em que  esta envolvido”.

Estas declarações de José Sócrates eram uma resposta à notícia do Observador sobre o testemunho de José Maria Ricciardi nos autos do caso EDP. O banqueiro garantiu nos autos do caso EDP que Ricardo Salgado informou a Comissão Executiva do Banco Espírito Santo (BES) no final de 2005 que “o então primeiro-ministro José Sócrates lhe tinha pedido para o BES adquirir uma participação qualificada na EDP (necessariamente superior a 2%)”, lê-se no auto de inquirição consultado pelo Observador. O que veio a acontecer logo em janeiro de 2006, quando o banco da família Espírito Santo investiu cerca de 200 milhões de euros para adquirir uma posição de 2,17% no capital da principal elétrica nacional.

Ricciardi, que fazia parte da Comissão Executiva do BES e que veio a representar o banco no Conselho Geral e de Supervisão, acrescentou ainda que esse investimento “não resultou de um estudo económico-financeiro prévio por parte do BES” mas serviu essencialmente, para “satisfazer” o “pedido de José Sócrates ao arguido Ricardo Salgado”. O que “continua a considerar inusitado e não tem memória de tal ter ocorrido mais alguma vez no BES”.