Os militantes da Assembleia do Povo Unido — Partido Democrata da Guiné-Bissau (APU-PDGB) em Bissorã, norte do país, estão profundamente divididos com uns a apoiarem Umaro Sissoco Embaló e outros Domingos Simões Pereira, candidatos que disputam a presidência guineense.

Bissorã é considerado ‘bastião’ de Nuno Nabian, líder da APU, terceiro candidato mais votado na primeira volta das presidenciais guineenses e que agora decidiu apoiar Umaro Sisoco Embaló na segunda volta contra Domingos Simões Pereira.

Nabian foi eleito deputado pelo círculo de Bissorã e foi o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais naquela cidade situada a cerca de 90 quilómetros de Bissau.

No entanto, o apelo ao voto em Émbaló pode não ter consequências diretas.

Sem grandes animosidades, Uri Baldé, que se intitula como dirigente local, e Blofan Ntun, que se apresenta como militante de base, concordam apenas quando se referem a Nuno Nabian como “o líder”, mas no resto cada um tem a sua justificação para apoiarem Domingos Simões Pereira e Umaro Sissoco Embaló, respetivamente.

Uri Baldé culpa Nuno Nabian por aquilo que diz ser “vergonha dos apuanos” — referencia aos militantes daquele partido- por ter, disse, tomado a decisão de apoiar Umaro Sissoco Embalo “sem falar com ninguém”.

“O partido não é do líder, é de nós todos”, observou Baldé que nunca pôs os pés na sede da APU no bairro da Gã Banana, desde o arranque da campanha para a segunda volta das presidenciais, no passado dia 13.

Uri Baldé trabalha “em estrita colaboração com o PAIGC” (Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau) a partir da sede daquele partido no bairro de Braga.

Vestido com uma t-shirt de Umaro Sissoco Embaló, mas sem o tradicional ‘kahala’ com que se identificam os seus apoiantes, Blofan Ntun ri-se das palavras de Uri Baldé, a quem chama de irmão, mas fez ver ao jornalista que “os verdadeiros ‘apuanos’ de Bissorã estão na sede do líder” Nuno Nabian.

“O irmão Baldé está no caminho errado, todos nós devemos estar do lado do nosso líder”, observou o jovem Ntun, 27 anos, que acredita na decisão de Nuno Nabian assim como na vitória de Umaro Sissoco Embaló não só em Bissorã como em toda a Guiné-Bissau.

A divisão entre os militantes da APU em Bissoã não se fica apenas pelas posições antagónicas entre os militantes e dirigentes.

Um simples passeio pelas principais ruas é facilmente encontrar casas pintadas com as cores daquele partido mas com cartazes de Domingos Simões Pereira e Umaro Sissoco Embalo.

“A APU está dividida e os eleitores também estão”, observou Uri Baldé, que se desdobrava nos preparativos do comício que Domingos Simões Pereira vai dar na cidade.

Mais de 760.000 guineenses escolhem no dia 29 o próximo Presidente da Guiné-Bissau entre Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15).