Numa mensagem de Natal publicada esta quarta-feira no Jornal de Notícias – onde, aliás, escreve todos os anos nesta data – Marcelo deixa uma nota de preocupação com os “sinais” a que assiste como “o adiamento de decisões importantes para os anos mais próximos em áreas essenciais”. E recorda a influência que tem este adiamento no “crescimento e emprego sustentados e significativos”. Isto no que toca à Europa, que “inicia um novo ciclo político com alguns outros sinais que continuam a provocar apreensão”.

E que sinais são esses? “A situação mais ou menos crítica de certos sistemas políticos nacionais”, “o apagamento de lideranças convictas, claras e determinadas” e “a emergência de compassos de espera ou fragmentações internas as mais variadas”. Destino específico para estas palavras? Não há.

Mas há palavras específicas para Portugal, onde o Presidente está preocupado com o debate público. “Preocupante, também, embora num plano diferente, no que toca a Portugal, quanto à concentração do debate público em pontos específicos, mais formais do que substanciais, mais conjunturais do que estruturais”.

Ou seja, em Portugal existe – e não deveria existir – uma “sensação difusa de que o dia a dia deve prevalecer sobre os horizontes de médio e longo prazo na perceção social de muitos”. Marcelo também reiterou um aviso que tem deixado ao longo do ano sobre a crise dos media em Portugal, referindo-se “à situação crítica da comunicação social, acicate de instabilidade, de preferência pelo imediatismo, de potenciação do efémero em detrimento do fundamental”. “Tudo isto é preocupante”, afirmou o Presidente.

Por outro lado, também salientou a sua “esperança em Portugal”. “Porque, entre nós, o bom senso, a experiência de muito passado e do que nele se viveu e o apelo de mais e melhor apontam para olhar mais alto e mais longe e cuidar de evitar injustiças, desigualdades, omissões, atrasos e displicências que criem o caldo para o enfraquecimento de pilares basilares de uma Democracia viva e de futuro”.