Apesar do automóvel circular pela superfície do planeta há mais de 100 anos e do homem viajar pelo espaço há 50 anos, um homem conseguiu revolucionar o transporte dentro e fora da Terra. Com a Tesla, por um lado, e a SpaceX, por outro, Elon Musk provou que há sempre espaço para melhorar, mesmo os melhores conceitos do mundo.

Se a SpaceX é uma empresa privada avaliada em 33,6 mil milhões de dólares, propriedade dos administradores e empregados, em que Musk detém 54% do capital e 78% dos direitos de voto, a Tesla é uma companhia pública por acções (onde Musk é o maior accionista com um pouco mais de 20%) e controlada pelo mercado. Isto significa que o valor das acções (e da empresa) sobe quando há confiança nos produtos e na estratégia, para depois descer se essa mesma confiança desaparece.

Musk já manifestou em algumas ocasiões o seu desejo de tornar a Tesla privada, o que passava por reunir um grupo de investidores para adquirir as acções que estão no mercado e, da última vez que o fez (em Agosto de 2018), a entidade que controla a bolsa americana (a Securities Exchange Commission), aplicou-lhe uma multa de 20 milhões de dólares, com a Tesla a ter de pagar outro tanto.

Como está dependente dos mercados, bem como dos short sellers que fazem vendas a descoberto, apostando contra a empresa, a Tesla tem sofrido uma flutuação de valor acima da média, que deverá começar a diminuir depois de os short sellers terem perdido quase 8 mil milhões, o que habitualmente desencoraja este tipo de negócio.

Como se isto não bastasse, a China conseguiu construir a fábrica da Tesla em Xangai em tempo recorde; o Model Y foi antecipado quase nove meses; a Cybertruck, apesar de polémica, reuniu mais de 250.000 encomendas na primeira semana; e a fábrica europeia, na Alemanha, vai tornar a Tesla numa marca global e independente do mercado americano.

Tudo junto fez com que o valor das acções do fabricante de veículos eléctricos da Califórnia passasse dos 177 dólares por acção que tinha em Junho de 2018, dos 300$ em Outubro (que lhe permitiu ultrapassar a GM) e dos 349$ de Novembro (o que colocou a Tesla acima da Daimler na capitalização bolsista), para uns impressionantes 425.25$. Ou seja, um novo recorde, exactamente ao fim do dia 24 de Dezembro, o que elevou para 76 mil milhões de dólares o valor da Tesla, mais 13 mil milhões do que há um mês.

Com esta valorização, Musk vê o seu valor disparar dos 19,6 mil milhões em Agosto de 2018 para os actuais 26,8 mil milhões de dólares, ou seja, mais 7,2 mil milhões de dólares. É uma prenda de Natal considerável, uma vez que, segundo o Fundo Monetário Mundial, há pelo menos 40 países que produzem anualmente uma riqueza (PIB) inferior.