O Arsenal tinha ganho apenas um dos últimos nove jogos na Premier League quando se deslocou a Liverpool para defrontar o Everton. Empatou sem golos, manteve essa senda de maus resultados mas nem isso foi capaz de travar elogios para aquilo que foi descrito como uma “melhoria” – a forma como a equipa defendeu melhor. Esta era um fiel retrato da temporada dos gunners, que chegavam ao Boxing Day no 11.º lugar a nove pontos dos lugares que dão acesso à Liga dos Campeões. Esta era a equipa que Mikel Arteta iria pegar como treinador apenas três anos depois de ter terminado a carreira no clube e se ter juntado a Pep Guardiola como adjunto do Manchester City.

“Não falámos muito sobre a nossa qualidade ou táticas, ele disse apenas que queria ver jogadores a correr, a apoiar os seus companheiros, a defender a sua baliza, a jogar como equipa. E percebemos essa mensagem no jogo com o Everton”, confidenciou o guarda-redes Leno após o último encontro com o interino Freddie Ljundberg, que ocupou a prazo a vaga deixada por Unai Emery. “Temos de mostrar mentalidade, temos de jogar um bom futebol e então surgirão as oportunidades. Se falarmos apenas de táticas e do que era feito no passado, não interessa. A única forma de melhorar é trabalhar e ter uma boa mentalidade, assim acredito que poderemos atingir os nossos objetivos”, comentou Arteta antes da partida de estreia fora com o Bournemouth.

Essa tem sido uma das ideias mais defendidas pelo antigo médio no regresso ao clube, a de que “a paixão é algo inegociável no futebol”, muito à semelhança da linha de pensamento de Guardiola. E essa foi também uma das principais mudanças na equipa do Arsenal, que voltou a contar nas escolhas iniciais com Mesut Özil. “Escolhi a equipa que está melhor neste momento em relação ao que queremos perante o adversário. Ele tem estado a treinar muito bem, veremos que tipo de exibição consegue produzir”, comentou o técnico estreante.

O internacional alemão de 31 anos que passou por Schalke 04, Werder Bremen e Real Madrid antes de chegar a Londres em 2013 continua a ser protagonista por variados motivos. Esta semana, o médio ofensivo anunciou nas suas redes sociais de que já tinham sido feitas 219 operações a crianças das mil que prometeu na altura do seu casamento, em junho. “São cirurgias que mudarão a vida de crianças necessitadas de todo o mundo”, disse, numa altura em que é também notícia pelo veto da China após ter contestado as ações contra a população Uighur – o que valeu a saída dos jogos FIFA e PES 2020, além do “boicote” aos encontros do Arsenal no país.

No campo, as coisas são diferentes e a influência que teve nos tempos áureos de Real Madrid e Arsenal está hoje bem longe do que era, como se viu em mais 75 minutos desinspirados que prolongaram para 910 minutos em 12 encontros o arranque de temporada 2019/20 sem um único golo. E também o Arsenal não foi além de um empate frente ao Bournemouth, que até começou a ganhar com o 1-0 apontado por Dan Gosling aos 35′ antes de Pierre-Emerick Aubameyang fazer o empate já no segundo tempo (63′) que manteve a série de maus resultados.